[Semana 50%] 6 álbuns que conheci e me encantaram no primeiro semestre de 2018

Durante os últimos seis meses (quase sete) eu escutei de fato muitos álbuns de muitos estilos diferentes. O que decidi apresentar hoje a você, são seis deles com quais eu me envolvi, que me surpreenderam, ou seja, aqueles que eu mais gostei e continuam nas minhas playlists e alguns até compõem a trilha sonora da minha vida. Eu os coloquei num ranking levando em consideração a minha preferência, a minha história com o álbum e por eles terem perdurado muito mais comigo até o momento. 

Todos estão disponíveis no Spotify. Você encontra os links clicando nas capas dos álbuns. 


6. "Art Angels" by Grimes


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Eu não conhecia essa cantora, até que um amigo insistiu levemente para que eu escutasse os trabalhos dela. Eu comecei por álbum chamado "Visions" e eu realmente gostei do estilo da cantora. Em seguida, eu escutei "Art Angels". De inicio eu senti que me conectei mais fortemente com o primeiro álbum, contudo com o passar das semanas as canções que eu mais procurava para escutar novamente estavam no segundo álbum. 


Ele possui estilo eletrônico bastante experimental, com canções, inclusive, surpreendentes e, às vezes, assustadoras como é o caso de "SCREAM". Não consigo dizer apenas uma canção favorita, acho que é muito interessante ouvir o álbum completo e ter a experiência.

Por ter apreço por esse estilo eu gostei muito do que eu ouvir e se você procura algo diferente, aqui está uma ótima dica. Tanto na sonoridade, quando no visual. 

E voltando ao amigo que me indicou esse álbum (ele voltará aparecer novamente na lista), como ele mesmo diz a cantora o inspirou bastante nas suas produções artísticas. Ele possui um instagram recente com vários desenhos autorais e deixo aqui o link para caso você queira conferir: @tensaopoetica


5. "Liberation" by Christina Aguilera

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Um álbum muito esperado pelos fãs. Eu não posso me considerar um grande fã da cantora, mas estive acompanhando um pouco do trabalho dela desde um discussão com um amigo da faculdade (sim, é exatamente isso). Quando o álbum saiu, eu não esperei muito para ouvi-lo e posso dizer que não é um primor ou inovador, mas me surpreendeu.

Me surpreendeu por ela arriscar em algo beirando o intimista e sem grandes momentos de pop dançante. O foco são as letras, as melodias e até a metade do álbum há um forte apelo de empoderamento. A segunda metade decai um pouco por focar em músicas românticas e com batidas do hip hop tão comum no pop, mas não tão marcantes, porém boas de ouvir. Os grandes destaques do álbum são "Fall in Line" com Demi Lovato, minha favorita do álbum; "Right Moves", sendo a canção mais diferente e que dá vontade de balançar o corpo; e "Masochist". Além das ótimas canções iniciais que dão todo um clima para a primeira metade do álbum.

O álbum me acompanhou durante alguns trabalhos de faculdade e também em alguns dias de chuva. Por conta da sua sonoridade (boa de ouvir) e por tudo o que eu falei anteriormente, ele ocupa a quinta posição nessa lista. 

4. "Blue Nighbourhood" de Troye Silvan

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Aqui está mais um álbum que ouvir por indicação de um amigo (o mesmo que indicou "Art Angels", já dá pra perceber que ele tem um ótimo gosto musical). Não é que não conhecesse o Troye Silvan, porém apenas algumas canções como "Wild" e "Youth". Contudo, escutar o álbum completo foi uma boa experiência, afinal muitas das composições me levaram a ter boas ideias para a história a qual estou escrevendo. A canção "Bite" (disparada a minha canção favorita do álbum), conseguiu delinear bem toda a cena que eu precisava compor. Assim como "Fools" e "Talk me down".

Foi um álbum que conseguiu me emocionar e ao finalizá-lo eu sentir que eu perdi tempo não o escutando antes. Talvez eu não tenha me tornado o maior fã do cantor, mas ouvir suas composições me levaram a dizer que é um artista que merece uma atenção. Ele, inclusive, está prestes a lançar um novo álbum diante dos inúmeros singles que estão sendo lançados. 

3. "Girassol" by Kell Smith

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Quando eu ouvi "Era uma vez" ano passado, a canção entrou para o meu rol de favoritas por dizer muito do que eu sentia, muito do que eu acreditava através de metáforas lindas e com uma melodia emocionante. Faltava um álbum completo dessa cantora e ele chegou em abril de 2018. Eu não esperei um minuto. Assim eu soube que havia sido lançado no Spotify, eu fui escutar.

E cada canção falava comigo de um jeito diferente. E ainda que eu não vivesse muitas das coisas inseridas nas letras, eu as entendia, conseguia senti-las. Alguns desses sentimentos eu passei a sentir algumas semanas depois e essas canções me ajudaram a entende-los, a dar nome à eles. O álbum tornou-se marcante. É impossível definir uma música favorita nele, contudo posso dizer os destaques: "Girassol" é uma canção com uma letra importante; "Ai de mim" é muito sarcástica, me faz feliz"; "Diferentão" é a minha música, perdoe a falta de modéstia. "Maktub" e "Nossa Conversa" são aquelas músicas a que me referi anteriormente, eu nunca vou ouvir essas canções sem lembrar de determinadas palavras, de determinados momentos. Elas embalaram momentos da minha vida nesses últimos meses.

O CD tem uma pegada pop brasileira com canções que vão de baladas românticas a canções inspiradas sobre causas sociais. A sonoridade é bastante suave e com melodias muito criativas.

2. "Staying at Tamara's" by George Ezra 

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Eu já conhecia? Já conhecia. E não há uma canção desse cara que eu não goste. Desde o primeiro álbum que eu ouvir com mais atenção ano passado eu passei a acompanhar o trabalhar de George Ezra. E esse segundo álbum bem mais pop que o anterior me acompanha toda manhã a caminho dos trabalhos, assim como toda vez que eu preciso ir para a faculdade. 

Todas as vezes que eu escutar esse álbum eu lembrarei do segundo semestre da minha segunda faculdade. Ele me lembra de amigos, me lembra de momentos engraçados das aulas e fora dela. Me lembra de um trabalho bem trabalhoso. Me lembra de sorrisos específicos. Me lembra da vontade imensa de sair pelo mundo e conhecê-lo.

"Get Away" e "Shotgun" são as que eu escuto quase no loop eterno algumas vezes. Por favor, vá curtir esse álbum nessa tarde de segunda feira. 

1. "Good News" by Rend Collective

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Talvez você nunca tenha ouvido falar dessa banda, então eu vou lhe apresentá-la. 

Rend Collective é uma banda cristã do norte da Irlanda. Seu estilo é baseado no folk rock e com uma boa concepção experimental. São canções muito criativas, com instrumentos muito diferentes. Eles produzem muitos projetos ao vivo e são bastante estilosos. Mesmo você que não costuma consumir música cristã, eu indico para conhecer algo diferente nicho e talvez se encantar pelo folk.

Mas, vamos ao álbum que já faz parte do meu coração. O álbum anterior "Build your Kingdom here" (2017) já havia me emocionado pela sua sonoridade e força nas canções. O novo álbum mantém o estilo folk, agora com muitas inspirações em músicas escocesas (com a gaita de foles) e canções country. É um CD muito alegre e que nos envolve com letras que nos dão esperança em um futuro melhor. 

E foi justamente por isso que ele está na primeira posição dessa lista, pois nos momentos mais sombrios desses últimos meses ele me levou para mais perto da esperança e da liberdade. É impossível também proferir favoritas, mas destaco "Rescuer (Good News)" que dá nome ao álbum, "Life Is Beautiful" que abre o álbum e me emociona; "Counting every blessing" que é uma canção para você escutar com calma e "Resurrection day" que é aquela canção que me deixa com um sorriso de orelha a orelha.

É um álbum para aquecer o coração.


Espero que vocês tenham gostado e #FicaADica desses álbuns incríveis. 


Jônatas Amaral

O que é a #Semana50% ?

É uma semana com posts  sobre as melhores coisas que eu pude ver, ler e ouvir nos primeiros seis meses do ano. Você pode conferir todos postos buscando pela tag #Semana50% .


"A Ilha dos Cachorros" (Isle of Dogs, 2018) de Wes Anderson


Acredito que muitos já ouviram falar do cinema de Wes Anderson. Provavelmente, "O Grande Hotel Budapeste" é o primeiro filme que virá a mente de muitos de nós ao ouvir o nome do diretor, afinal o icônico filme foi bastante aclamado e é bastante marcante. Contudo, p primeiro filme que assistir do diretor foi "O Fantástico Sr. Raposo" (2009) durante um evento acadêmico em uma Universidade do Pará. A partir desta animação eu pude ter contato com a famosa simetria tão característica do diretor, os movimentos verticais e horizontais - quase teatrais - de câmera, as narrações em off que evoluem a trama. De imediato eu pensei: "Isso aqui é animação para adultos". É um grande filme.

Após assistir a primeira animação do diretor, meu segundo contato com este foi justamente com o filme sobre o Hotel Budapeste. Não demorou para eu começar a pesquisar sobre o diretor. De fato, ainda não posso dizer que sou um grande conhecedor de sua filmografia, afinal "A ilha dos cachorros", segundo filme de animação do diretor, é o meu terceiro contato com a sua obra.


Lançado e aclamado em Festivais, neste filme Wes Anderson nos traz uma história com seu típico estilo e, a meu ver, muito mais palatável para crianças e  pré-adolescentes, ainda que em geral o filme trate de assuntos muito adultos, e tenha um estilo que as crianças não devam se interessar com muito facilidade. Mas é possível.

Temos, então, uma história sobre uma cidade em que uma doença tem afetado os cães e o governo decide exilá-los em uma ilha, mesmo que haja uma possibilidade de cura. É um governo ditatorial. Um garoto chamado Atari decidi ir até esta ilha atrás de seu cachorro Spots. Na ilha há uma divisão bastante clara entre os cachorros, já que estes também foram criando formas de viver naquele lugar tão selvagem, sujo e precário. Organizações começam a reivindicar direitos aos cachorros e  o governo vai querer eliminar de vez os pobres cachorros.

Todas as características já conhecidas do diretor estão presentes nesse filme, o diferencial está no trato do roteiro e dos seus personagens. Os protagonistas são os cães e você realmente se importa, os entende, tudo nos leva a torcer por eles. Todos eles falam inglês. Porém, a história se passa no Japão. O Atari, como um bom japônes, fala a língua japonesa. Não espere legendas. A maioria dos diálogos dos humanos são em japônes e poucos deles são traduzidos - quando o são geralmente são pela voz de uma personagem tradutora - muitos deles tendo que ser compreendidos pelo contexto. É uma escolha bastante arriscada, mas interessante, pois no universo faz sentido. Contudo, algumas cenas perdem peso quando você não compreende o que está sendo dito, parece menos importante. E acaba que focalizamos apenas na fala dos cachorros mesmo, já que ela é minimamente compreensível.

O filme é bastante atual e traz reflexões muito interessantes sobre regimes totalitários, convívio em sociedade, a forma como propagamos nossas ideias, há um paralelo com a situação dos imigrantes, corrupção, manipulação midiática. Está tudo ali em volta de uma história de amor entre um humano e seu cão.

A animação em stopmotion tem uma elegância inacreditável, além de uma perfeição de fazer os olhos sorrirem. Cada detalhe é muito bem cuidado. Existe algo nesse tipo de animação que a torna, a meu ver, mais interessante, pois é muito mais palpável do que as animações feitas apenas por computação gráfica. Ainda não identifiquei o real motivo de pensar isto. É a mesma reação que eu tenho quando um vejo um filme feito em 2D. Tem uma magia diferente ali.


Durante um filme, existe alguns temas musicais muito recorrentes na trilha sonora que é baseada em sons bastante evocativos da cultura japonesa, muitos tambores, tímpanos, bastante minimalista em muitos aspectos. Algo, porém, saltou aos meus ouvidos. Um tipo de assovio que os cachorros utilizavam para se comunicar e para expressar determinadas coisas sendo tais sons parte, também, da trilha sonora. Constantemente me peguei fazendo uma interligação com a trilha  de "A forma da água", com aquele assovio tão marcante e mágico. Ao fim do filme, durante os créditos, descobrir o porquê da minha relação tão direta: ambas foram criadas pelo mesmo compositor, Alexander Desplat (que ganhou o Oscar na categoria esse ano). É algo muito bom, que dá ritmo a história e ajuda a contá-la.

Assista no idioma original. Scarlett Johansson mais uma vez faz uma excelente atuação com a sua voz. 

Quando chego ao fim do filme, percebo que o estilo do diretor é bastante interessante. E a história é bastante simples em geral, por isso o meu parecer de que ela é minimamente acessível a um público mais infantil, ainda que seja mais relevante ao público adulto. É um filme bom, carente um pouco de emoção. Um tanto confuso em alguns momentos, principalmente quando somos limitados diante do desconhecimento da língua japonesa. Nesses momentos parece que estamos perdendo algo muito importante. Fez falta as legendas. É divertido e muito bem feito. Espero vê-lo nas premiações na categoria de Melhor Animação. Aproveite o filme.



Por Jônatas Amaral




"OS INCRÍVEIS 2" (The Incredibles 2, 2018): Eu tô muito feliz.



Eu cheguei faz mais ou menos umas duas horas da sessão de "Os incríveis 2" e gostaria de dizer, inicialmente, que estou muito feliz. Valeu a pena esperar. E espero que assim que terminar de ler esse texto, se ainda não foi ver, você corra para o cinema ou para o site do cinema do seu coração e compre seu ingresso e vá aproveitar essa história.

Quando o primeiro filme estreou ainda não havia o Universo Marvel nos cinemas, ainda não havia a tentativa de Universo DC, ainda não havia as transgressões dos filme de anti-heróis. Havia o primeiro "Homem Aranha", por exemplo. Havia filmes esparsos de super heróis. "Os incríveis" vieram oferecendo algo diferente, como diria o crítico Tiago Belloti: dois filmes em um. Um filme de uma família de super heróis e um filme sobre a dinâmica familiar. Era divertido, com uma criatividade visual e de roteiro impecáveis. Era necessário uma continuação. Sim, é raro dizermos isso, mas todo o universo esperava uma continuação dessa história e veio, depois de 14 anos, mas veio. E tudo o que tinha de bom no primeiro está novamente no segundo e ainda oferece um pouco mais.

Eu não sei como uma criança viu esse filme, mas me divertir junto com elas na sala de cinema. E geralmente me incomodo com o movimento constante no cinema, mas dessa vez não. Elas estavam imersas no filme e animadas com ele. Não era uma agitação de "quero ir embora, tá chato"; era um animação genuína produzida por aquilo que elas estavam vendo em tela, que era muito bom. 

Os adolescentes comentaram aquilo que, de fato, era a fraqueza do filme: o vilão. O plano era meio desengonçado e a motivação não fazia sentido. Eu, sinceramente, não liguei. Eu me deixei levar, pois se você racionalizar todo vilão de história de super herói você vai perceber que nem todos tem realmente uma boa motivação ou são muito inteligentes. O ódio e o ego, às vezes, nos cegam. (E lá estou eu tentando colocar um significado filosófico em alguma coisa, e, talvez me contradizendo levando em consideração alguns posts anteriores).

O que quero dizer é que o filme é previsível em diversos aspectos, o vilão não é cem por cento bom, mas oferece grandes momentos. A forma como ele age é muito tensa e muito divertida também. Você sabe quando algo foi bem feito quando você olha para plateia e você encara todo mundo em silêncio, vidrado na tela, com expectativa. É soberbo.

O humor do filme surge naturalmente a partir das situações criadas e identificáveis. Surge das referências (não tenha medo de assistir dublado, você vai se divertir da mesma forma). Assim como se vale da sátira para estabelecer um comentário social, sem ser jogado na sua cara. Faz parte da história, do contexto e se torna engraçado, também. É assim que se faz um alívio cômico, assim que  se faz um filme divertido. Não é só para fazer rir por rir, é para gerar o riso, mas, ao mesmo tempo, ser relevante na sua proposta, no seu tema, fazer refletir se divertindo. A Pixar é, realmente, pós-doutora nisto.


Após sair da sessão, pense por um momento e perceba o quanto foi interessante ver um filme que trata de empoderamento feminino, da inversão de papéis da organização familiar mais comum, sobre o valor da família num filme voltado prioritariamente para o público infantil. E pense mais um pouquinho que milhares de crianças estão assistindo. 


Eu sair feliz do cinema pela qualidade daquilo que eu tinha visto, apesar dos poréns técnicos de roteiro que serão tão evidenciados. Sinceramente, nesse momento a diversão e a forma como ele me divertiu foi o que valeu mais a pena. Será que é pedir muito um "Os incríveis.... 3"? 

 Por Jônatas Amaral.