[ #Oscar2018 ] "A Forma da água" (The Shape of Water, 2017): Por que tão aclamado?

domingo, fevereiro 11, 2018



As primeiras cenas de "A forma da água" (The Shape of Water) nos imerge em um ambiente que está entre o fantasioso e o real de forma muito tênue. São cenas que usam a luz, efeitos especiais digitais e práticos que oferecem um aspecto subaquático que são inesquecíveis. As primeiras notas da trilha sonora são tocantes. A direção de arte cria algo belo. A primeira cena de Sally Hawkins como Elisa é cativante; Octavia Spencer apresenta uma performance ótima como sempre. Guilherme Del Toro dirige e roteiriza o filme que oferece uma mensagem contra a intolerância envolva em um trama que envolve romance, estranheza, conspiração no meio de um Estados Unidos envolto na Guerra Fria. 

Resumi rapidamente as grandes qualidades do filme que, inclusive, foram lembradas pela Acadêmia de Artes Cinematográficas, que ofereceu a honraria de 13 indicações ao #Oscar2018: Melhor Filme, Melhor Diretor (Guilherme Del Toro), Melhor Atriz (Sally Hawkins), Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer), Melhor Ator Coadjuvante (Richard Jenkins), Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Figurino, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhor Direção de Arte.

Afinal, por que este filme se tornou tão aclamado e se tornando um grande favorito a receber a grande honraria do cinema?

Alguns podem se surpreender se souberem que "A Forma Da Água" foi o primeiro filme do diretor Guilherme Del Toro que assistir. Ele já foi responsável por filmes aclamados como "O Labirinto do Fauno", "HellBoy" e "Colina Escarlate", filmes estes que tem forte apelo para a fantasia e para a criação de monstros inesquecíveis. É um diretor mexicano que há tempos vem produzindo coisas incríveis e histórias inesquecíveis, segundo muita gente. Eu mesmo, no momento, só posso avaliar pelo filme em questão.

Michael Shannon, Sally Hawkins e Octavia Spencer
"A Forma da Água" se torna algo memorável inicialmente pela sua trama central: Um mulher muda que se apaixona por um homem anfíbio. Elisa é a faxineira de um laboratório secreto do governo, e tem na sua amiga Zelda e no seu amigo Giles um porto seguro. Esses personagens estão inseridos em um contexto histórico recheado de intolerância e preconceito, de ânsia pelo poder, por controle e supremacia cultural. Uma mulher muda, um homem gay, uma mulher negra e um anfíbio são os personagens que nos conduziram por uma trama que desenvolverá de forma lúdica, sensual, assustadora e eletrizante em momentos diversos durante a narrativa.

Sally Hawkins (Elisa)
É de se esperar que em um filme de fantasia não haja uma preocupação de que tudo seja muito bem lógico, contudo o filme desenvolve o romance de Elisa com a criatura de forma muito rápida, o que não a torna tão verossímil logo de cara. OK. Um romance desses já não seria verossímil e de fato é complicado tornar isso lógico. É verdade e não estou dizendo que ele não se torna verossímil, apenas acredito que toda a relação acontece de forma um tanto acelerada no primeiro ato do filme. Fiquei um tanto em dúvida para onde o filme iria. Onde ele queria chegar com essa história?


É neste ponto que é necessário falar daquilo que chamo de 'inserções' no roteiro. Essas inserções são breves cenas e diálogos que nos transportam para coisas do nosso cotidiano, conflitos da sociedade que fazem toda a história fantasiosa ter um significado, um sentido. Questões como racismo, homofobia, machismo são inseridas no roteiro e ajudam a contar a história romântica que a meu ver tem como tema principal a mensagem de tolerância, respeito e humanidade.

"The shape of water", portanto, é um filme belo e como entretenimento é muito bem realizado, além disso é um filme importante para o momento em que vivemos, sendo uma linda metáfora sobre o que nos faz humanos. Em uma entrevista, o diretor conta que esta história é uma das suas histórias mais pessoais e conversa muito com aquilo que ele mais se preocupava aos 53 anos. É um filme que não teria base nas ideias da infância, mas nas preocupações deste como adulto. Confira AQUI!

Guilherme Del Toro (Diretor) e Doug Jones (Homem Anfíbio)
Se pararmos para pensar, o filme é um daquelas obras primas cinematográficas de um diretor. Seja nos aspectos visuais e técnicos, seja no roteiro e nas atuações, tudo é muito bem realizado. Ainda que o final te deixe um tanto sem respostas ou que não seja aquilo que queríamos, este nos transporta para um mundo da fantasia, mas que nos faz pensar sobre o nosso próprio mundo real. O cinema é uma dessas artes de escape da realidade que pode nos fazer pensar e mudar a realidade.


Estes e outros muito motivos tornam este filme memorável e tão aclamado. Ainda que ele não seja meu favorito pleno da temporada, este com certeza é um dos mais belos filmes do ano e que merece sim todo o crédito e elogios do mundo.

Por Jônatas Amaral


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1 comentários

  1. A direção e as histórias de Guillermo del Toro são maravilhosas. Eu acho que o filme merece todos os reconhecimentos. Michael Shannon, como sempre, nos dá um vilão que você vem odiar. Ele sempre surpreende com os seus papeis, pois se mete de cabeça nas suas atuações e contagia profundamente a todos com as suas emoções. Não há dúvida de que muitas pessoas vão se lembrar dela como um Michael Shannon filmes. Adoro porque sua atuação não é forçada em absoluto. Eu gostei muito porque ele conseguiu dar sua personalidade ao personagem a quem ele deu sua voz. Cada um dos projetos deste actor supera a minha expectativa. Eu sem dúvida verei novamente.

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