[ #Oscar2018 ] As qualidades de "Dunkirk" de Christopher Nolan


"Dunkirk" de Christopher Nolan é o filme de guerra da vez no #Oscar2018. Se ano passado a Academia valorizou bastante a emocionante história de um homem que decidi ir para a guerra, mas sem nenhuma arma em "Até o último homem" de Mel Gibson, este ano a Academia volta seus olhares para um filme que não tem personagens com quais possamos definitivamente nos envolver emocionalmente, mas que apresenta uma situação de guerra desesperadora de forma quase impecável tecnicamente.

Este filme foi lançado no meio do ano de 2017 e fiz a excelente escolha de assisti-lo no cinema. Dentre os muitos filmes que assistir nas telonas, "Dunkirk" certamente foi uma das minhas melhores experiências. Enquanto que "Gravidade", por exemplo, me ofereceu uma experiência em 3D inesquecível; enquanto que "A Invenção de Hugo Cabret" me ofereceu uma experiência emocional com a sua metalinguagem; enquanto que "Jurassic World" me ofereceu uma experiência pipoca e nostálgica vibrante, "Dunkirk" entra nessa lista como um filme que me ofereceu uma experiência sonora e sensitiva impactante.

O filme, em sua base, é a história sobre o cerco de Dunquerque: local onde estava o exército formado pela Bélgica, França e Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial,cercado pelo exército alemão. O filme conta três períodos de tempo simultaneamente para mostrar como foi o resgate deste exército que contou principalmente com a ajuda de civis. Dentro desse contexto há uma série de personagens ou tentando fugir do cerco ou tentando salvar o exército. Ou seja, há uma história de alguns soldados em terra que dura cerca de alguns dias; há uma história de um civil que decide atravessar o canal da mancha com seu barco para auxiliar no resgate que se passa em um dia; e há a história de um piloto que age para quebrar os ataques aéreos alemão, história que se passa durante uma hora. O brilhantismo do roteiro consegue fazer uma interligação dessas histórias de forma coerente, ainda que confusa em alguns momentos.


Mas, veja, eu não consigo lembrar dos nomes dos personagens. Eu não lembro exatamente dos porquês. Mas, eu lembro perfeitamente da sensação criada por essas histórias, o sentimento de angústia por ver as coisas indo de mal a pior, o sentimento de impotência que eles carregam, lembro do sentimento de luto que permeia a narrativa. E, principalmente, eu lembro do suspense e do impacto criado pela trilha sonora, pela edição e mixagem de som.

A trilha sonora utiliza dos próprios sons de aviões caindo, dando rasantes, além dos próprios tiros e do movimento das hélices na sua melodia caótica. A trilha sonora possui um "tique taque" incessante que permeia todo o filme transferindo ao espectador a sensação de que há uma corrida contra o tempo. É um filme que diz muito a partir daquilo que seus elementos audiovisuais possibilitam. Não é um filme verborrágico como outros filmes do diretor. É um filme com pouquíssimos diálogos, com pouco desenvolvimento de personagens. O foco é a situação, o desespero da situação. É um convite para experimentar sensorialmente um dos momentos de guerra.


A cenas aéreas são espetaculares visual e auditivamente. Os tiros assustam. O inimigo não tem um rosto e sempre está a espreita. 
O que talvez falte a este filme é uma forma de se estabelecer um envolvimento emocional com seus personagens. A falta de desenvolvimento destes é proposital, e sinceramente para mim não fez falta alguma, porém para muitos isto pode ser um grande problema no momento de apreciar o filme. Esta é uma obra no qual é necessário que o espectador se engaje em viver aquilo, se desligue e se conecte a situação; que reflita: "se eu estivesse nesse situação, o que eu faria?". 

O filme foi indicado a 8 Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretor (Christopher Nolan), Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Mixagem de som, Melhor Edição de Som e Melhor Direção de Arte. Com chances reais nas categorias técnicas de som.


Para este que os escreve, "Dunkirk" é um dos melhores filmes de guerra já feitos. Sem se apelativo ou recheado de sentimentalismo brega. É um filme que traz algo de novo para o gênero e consegue oferecer algo inesquecível em termos de suspense e ação. Eu não entendo o porquê do hate com esse filme. É, para mim, um do melhores filmes do ano, sem dúvida.

Por Jônatas Amaral

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A FORMA DA ÁGUA // ME CHAME PELO SEU NOME //

[ #Oscar2018 ] "A Forma da água" (The Shape of Water, 2017): Por que tão aclamado?



As primeiras cenas de "A forma da água" (The Shape of Water) nos imerge em um ambiente que está entre o fantasioso e o real de forma muito tênue. São cenas que usam a luz, efeitos especiais digitais e práticos que oferecem um aspecto subaquático que são inesquecíveis. As primeiras notas da trilha sonora são tocantes. A direção de arte cria algo belo. A primeira cena de Sally Hawkins como Elisa é cativante; Octavia Spencer apresenta uma performance ótima como sempre. Guilherme Del Toro dirige e roteiriza o filme que oferece uma mensagem contra a intolerância envolva em um trama que envolve romance, estranheza, conspiração no meio de um Estados Unidos envolto na Guerra Fria. 

Resumi rapidamente as grandes qualidades do filme que, inclusive, foram lembradas pela Acadêmia de Artes Cinematográficas, que ofereceu a honraria de 13 indicações ao #Oscar2018: Melhor Filme, Melhor Diretor (Guilherme Del Toro), Melhor Atriz (Sally Hawkins), Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer), Melhor Ator Coadjuvante (Richard Jenkins), Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Montagem, Melhor Figurino, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhor Direção de Arte.

Afinal, por que este filme se tornou tão aclamado e se tornando um grande favorito a receber a grande honraria do cinema?

Alguns podem se surpreender se souberem que "A Forma Da Água" foi o primeiro filme do diretor Guilherme Del Toro que assistir. Ele já foi responsável por filmes aclamados como "O Labirinto do Fauno", "HellBoy" e "Colina Escarlate", filmes estes que tem forte apelo para a fantasia e para a criação de monstros inesquecíveis. É um diretor mexicano que há tempos vem produzindo coisas incríveis e histórias inesquecíveis, segundo muita gente. Eu mesmo, no momento, só posso avaliar pelo filme em questão.

Michael Shannon, Sally Hawkins e Octavia Spencer
"A Forma da Água" se torna algo memorável inicialmente pela sua trama central: Um mulher muda que se apaixona por um homem anfíbio. Elisa é a faxineira de um laboratório secreto do governo, e tem na sua amiga Zelda e no seu amigo Giles um porto seguro. Esses personagens estão inseridos em um contexto histórico recheado de intolerância e preconceito, de ânsia pelo poder, por controle e supremacia cultural. Uma mulher muda, um homem gay, uma mulher negra e um anfíbio são os personagens que nos conduziram por uma trama que desenvolverá de forma lúdica, sensual, assustadora e eletrizante em momentos diversos durante a narrativa.

Sally Hawkins (Elisa)
É de se esperar que em um filme de fantasia não haja uma preocupação de que tudo seja muito bem lógico, contudo o filme desenvolve o romance de Elisa com a criatura de forma muito rápida, o que não a torna tão verossímil logo de cara. OK. Um romance desses já não seria verossímil e de fato é complicado tornar isso lógico. É verdade e não estou dizendo que ele não se torna verossímil, apenas acredito que toda a relação acontece de forma um tanto acelerada no primeiro ato do filme. Fiquei um tanto em dúvida para onde o filme iria. Onde ele queria chegar com essa história?


É neste ponto que é necessário falar daquilo que chamo de 'inserções' no roteiro. Essas inserções são breves cenas e diálogos que nos transportam para coisas do nosso cotidiano, conflitos da sociedade que fazem toda a história fantasiosa ter um significado, um sentido. Questões como racismo, homofobia, machismo são inseridas no roteiro e ajudam a contar a história romântica que a meu ver tem como tema principal a mensagem de tolerância, respeito e humanidade.

"The shape of water", portanto, é um filme belo e como entretenimento é muito bem realizado, além disso é um filme importante para o momento em que vivemos, sendo uma linda metáfora sobre o que nos faz humanos. Em uma entrevista, o diretor conta que esta história é uma das suas histórias mais pessoais e conversa muito com aquilo que ele mais se preocupava aos 53 anos. É um filme que não teria base nas ideias da infância, mas nas preocupações deste como adulto. Confira AQUI!

Guilherme Del Toro (Diretor) e Doug Jones (Homem Anfíbio)
Se pararmos para pensar, o filme é um daquelas obras primas cinematográficas de um diretor. Seja nos aspectos visuais e técnicos, seja no roteiro e nas atuações, tudo é muito bem realizado. Ainda que o final te deixe um tanto sem respostas ou que não seja aquilo que queríamos, este nos transporta para um mundo da fantasia, mas que nos faz pensar sobre o nosso próprio mundo real. O cinema é uma dessas artes de escape da realidade que pode nos fazer pensar e mudar a realidade.


Estes e outros muito motivos tornam este filme memorável e tão aclamado. Ainda que ele não seja meu favorito pleno da temporada, este com certeza é um dos mais belos filmes do ano e que merece sim todo o crédito e elogios do mundo.

Por Jônatas Amaral


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DUNKIRK // ME CHAME PELO SEU NOME // 





[ #OSCAR2018 ] "ME CHAME PELO SEU NOME" (CALL ME BY YOUR NAME, 2018): Sinta a atmosfera mudando...


"Me chame pelo seu nome" é um convite para lembrar histórias de amor. Sabe, você pode ter a opinião que for sobre o romance apresentado neste filme, mas nada tira dele a beleza de mostrar o nascimento de um amor platônico e como amadurecemos quando finalmente o conhecemos da forma mais intensa e sensível possível. De imediato posso dizer que este filme me comoveu por duas coisas: 1) Pela sua atmosfera e 2) pelo seu sensível final.

Temos aqui um romance de verão, em algum lugar Itália, ali pelos anos 80. Élio (Timothée Chalamet) empresta todos os anos seu quarto para os visitantes de pós-graduação que passam a temporada ajudando os seus pais universitários. Contudo, a chegada de Oliver (Armie Hammer) faz aquele ser um dos mais inesquecíveis verões da vida do rapaz. Aos poucos um romance vai surgindo entre os dois e, não se engane, esse é um amor vívido de forma intensa.


Quero lembrar-lhe que este é um texto crítico, mas com um quê de subjetividade latente. Assim como quero lembrar-lhe que em alguns momentos comentarei algumas cenas, mas tentarei ao máximo não dar spoilers, caso aconteça, eu avisarei.

Escrevo este texto algumas semanas após ter assistido ao filme e percebo que ele foi sendo digerido aos poucos na minha mente. Achei que seria um filme esquecido facilmente por mim, porém não. Vez ou outra me pego voltando aquele pequeno paraíso na Itália e sentindo aquela sensação de marasmo e do tempo passando devagar. Dessa forma, considero este um dos grandes trunfos do roteiro, direção e direção de arte deste filme: ele te leva para aquela atmosfera, as músicas são suaves e veronescas (se é que essa palavra existe). 

Quando vi o filme pela primeira vez sentir que o filme se arrastava um pouco para chegar onde deveria chegar, agora já repenso isto. Talvez a história devesse se arrastar, precisa-se de um tempo para acontecer. 

Logo que vi o filme, algumas pessoas me perguntaram imediatamente sobre as cenas mais quentes. Sinceramente, por que tudo precisa ser sobre sexo? O filme possui uma sexualidade e uma sensualidade latente, mas ao mesmo tempo não é sobre isso ou pelo menos não é só sobre isto. Acredito que "Call me by your name" seja sobre descobertas, sobre admiração e sobre amor.

Aqui faço um alerta de SPOILER. 


O final do filme pode fazer pensar a algo triste como um amor que não perdurou, mas não que não tenha sido vivido, entende? Todos nós temos aquelas primeiras histórias de amor que talvez não se tornaram casamentos, namoros, mas foram amores que foram vividos. 

Existe uma cena que, justamente dá nome ao filme, em que vejo perfeitamente aquela admiração mútua em deixa transparecer que um quer ser o outro pelo menos por um tempo. Viver a vida do outro por um tempo, porém juntos.

Existe uma outra relação amorosa entre Élio e uma moça que também é definidora e marcante no verão do rapaz. Ou seja, foi um verão definitivamente muito marcante na vida de um rapaz de  17 anos.

O final do filme mostra aquele garoto solitário na frente da lareira, uma das cenas mais tocantes que eu já vi em um filme. Eu me emocionei com toda as sequências finais que vão desde uma conversa linda de Élio com o pai sobre sobre a vida e suas escolhas, até uma ligação de Oliver, até a derradeira cena da fogueira. Timothée Chalamet só por esta cena você já merecia a sua indicação ao Oscar.


Fim do Alerta do spoiler.

Por fim, quero destacar que talvez esse fosse um filme que muitos diriam para eu não ver. Sinceramente, gostei muito assistir esta história ainda que eu não consiga entender determinadas coisas e determinados sentimentos e fantasias expostas no filme, mas ser levado para aquela atmosfera e história por duas horas foi algo belo cinematograficamente.

O filme foi indicado a Quatro Oscars: Melhor Filme, Melhor Ator (Timothée Chalamet), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção Original ("Mystery Of Love" by Sufjan Stevens). Acredito que as melhores chances do filme nessa edição esteja nas categorias de roteiro e canção original. Porém, aqui temos quatro indicações justíssimas.

O filme segue em cartaz no Brasil em muitos cinemas. Aos Leitores de Belém, fiquem atentos que o filme entra em cartaz dia 15 de fevereiro no Cine Líbero Luxardo, no Centur.

Por Jônatas Amaral

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