DESCONSTRUÇÃO


Existe certa beleza nos momentos de desconstrução da vida ainda que sejam processos dolorosos e nem um pouco fáceis. Há prédios que quando derrubados levam semanas para que seus cacos sejam retirados. Há destroços de casas que somem depois de alguns dias. Há pequenos casebres de madeira que são queimados sem muita dificuldade e em um dia só restam as cinzas mostrando que ali havia algo de valor. Não importa o tempo que leve, sempre há uma dor envolvida.

Contudo, existe uma beleza nesta dor. Você passa a encarar as coisas de forma diferente, com certo saudosismo que para o mais sãos possibilitam ver as lindas memórias construídas, ajudam a perceber que determinados alicerces não foram ladeira abaixo e por ali podem ser construídos outras novas edificações. Ajudam a perceber que havia caminhos que você desconhecia; ajuda-nos a ver o quanto amadurecemos desde a última queda.

Desconstruções são fases. Na verdade, tudo é uma questão de fases. A desconstrução é uma daquelas coisas da vida que podem nos deixar em cacos, mas que, em seguida, nos possibilitam reajuntar tudo e começar de novo. Acredito que esta é a maior qualidade da desconstrução: é o quanto ela nos ensina sobre o quanto temos uma segunda, terceira, quarta, quinta chance. Nos ensina a entender o valor de ter esperança no "seguir em frente". 

Por Jônatas Amaral

"Os 13 Porquês" de Jay Asher: Meu olhar sobre a importância desta obra.



Existem excelentes "porquês" para que você dedique tempo na leitura de "Os 13 Porquês" do autor norte-americano Jay Asher. O seu livro de estreia foi aclamado pelos principais setores de comunicação, além de render uma série da Netflix. Se você assim como eu assistiu primeiro a série, muito do suspense que o autor tenta criar não vai funcionar muito bem, porém você irá encontrar uma obra mais coesa e até mais coerente, na medida em que você terá informações advindas da série que poderão lhe ajudar a entender as entrelinhas desta história.

Fugindo um pouco das sinopses, afinal você já deve saber do que se trata esta história. Certo? Caso não, confira AQUI! Desta forma, prossigamos. Tratar de um tema tão tabu quanto suicídio não é fácil para ninguém, por mais bem intencionado que o autor seja. Por mais pesquisa que este se proponha a realizar. "Thirteen Reasons Why" não é o primeiro nem será o último livro a tratar sobre o tema, mas com toda certeza será um daqueles livros que uma geração vai lembrar com mais intensidade. Afinal, tanto o livro quanto a série são construídos de tal forma que te marca, seja pela reflexões, seja pelos temas, seja pelas cenas tão terríveis, porém reais. Um dos fatores mais interessantes deste livro é sua capacidade de saber deixar detalhes e cenas implícitas. As cenas de violência sexual, por exemplo, presentes no livro não são suavizadas, porém não são descritas. Isso é um detalhe que torna a obra inteligente, pois ela não sugere, ela deixa a informação adentrar no consciente do leitor de forma mais sutil. O acontecimento não deixa de ser forte ou menos real, ele só não é tão chocante para uma criança ou adolescente que possa ler a obra. Faz pensar, não aterrorizar.

A história por si só já é incômoda o suficiente, já que o personagem principal não pode fazer absolutamente nada para mudar. Não é uma questão de escute rápido, pois você ainda pode salvá-la. Não. Já aconteceu. Ela está contando as causas. Se você estivesse na pele do Clay provavelmente não saberia como agir. Um das coisas que mais me agradaram e incomodaram na escrita do autor quanto a isto foi a escolha de intercalar a fala de Hannah com os pensamentos e reações do Clay as fitas. No inicio é incômodo, mas com o tempo você se acostuma e entende. É algo também que pode forçar o leitor a ler mais atentamente, ainda que eu acredite que faltou em alguns momentos mais sensibilidade para essas inserções do Clay.

Muito já se escreveu sobre esta história ao longo deste ano, mas o que de fato sinto por esta obra é um apreço que já está além do âmbito emocional, mas permeia a responsabilidade e importância social que este livro possui, afinal para professores, como eu, este é um livro que abre perspectivas de diálogo com adolescentes (principalmente) não só sobre o suicídio em si, mas sobre machismo, bullying, violência sexual, além da importância da auto-estima e de sabermos com quem contar.


Acredito, aos meus 22 anos, professor, que o personagem contido na fita 13 - Sr. Porter - é o personagem sob o qual meus olhos mais se voltam, pois com ele eu me enxergo/identifico. Sou professor e almejo, também, ser orientador educacional. O que eu faria diante daquela situação? Como eu lidaria? O que eu faria? Entenda, são situações que você nunca vai saber exatamente como agir, mas que você não pode fingir que não pode fazer nada. A culpa que muitas vezes Hannah atribui aos destinatários de suas gravações está em dizer que estes precisam mudar, afinal não havia mais como ajudá-la. É algo pesado, não é mesmo? Complexo. Difícil até escrever sobre. Mas deixo aqui estas reflexões que me recaíram durante a leitura desta obra.

Por fim, gostaria de destacar o penúltimo capítulo que retrata o suicídio em si de Hannah Baker. A única coisa que se sabe é que a personagem usou de remédios para realizar seu intento. O capítulo em si não descreve absolutamente nada. É um capítulo em que você apenas observa o Clay ouvindo um chiado constante, até que, bem no final, temos a última fala de Hannah Baker, que é tocante e sensível. Assim como o final da história que mostra o que mudou em Clay depois daquela noite. Esta é a beleza e importância desta história. Nos fazer refletir sobre o que pensamos sobre as pessoas e o quanto nós, como seres sociais , temos impacto nas vidas um dos outros. Se permita refletir com este livro através das mensagens explicitas e, principalmente, as implícitas contidas nele.

Obrigado. 

Por Jônatas Amaral

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