[ #OSCAR2017 ] "ESTRELAS ALÉM DO TEMPO" (Hidden Figures, 2016) : Um filme de goodvibes

quarta-feira, fevereiro 01, 2017



Quando a música “Runnin” de Pharell Williams toca pela primeira vez, num momento tragicômico, a primeira sensação que você sente é: que filme legal de assistir! É uma canção que representa bem o aspecto otimista do filme. “Estrelas além do tempo” é um filme carismático e de goods feels, mesmo que seja pautado de uma representação da segregação racial existente nos Estados Unidos na década de 60.

O título “Estrelas além do tempo” da versão brasileira não representa, a meu ver, a história, já o título original “Hidden Figures” que em tradução livre seria “Figuras Ocultas” consegue transpor a atmosfera que o filme traz, dando voz e luz a grandes mulheres esquecidas no meio de grandes “heróis” americanos durante a Guerra Fria.


AS FIGURAS OCULTAS


O filme conta a história de três mulheres que são verdadeiros gênios da matemática, que trabalham na NASA no período de maior desafio do programa espacial norte-americano. Os russos estão ganhando a corrida espacial e poucos avanços significativos acontecem na organização. Katherine Goble (Taraji Hanson) é chamada para compor a equipe principal de inteligência matemática que promove todo esquema para levar o homem ao espaço, contudo é um lugar primordialmente masculino e branco. A sua entrada é vista com desconfiança e preconceito por todos, mas logo começa ganhar seu espaço por conta de sua genialidade e ousadia. 


Taraji Hanson traz uma atuação divertida e na medida dramática necessária, sendo uma personagem muito carismática que carrega a alma do filme. Ela é o ponto alto do filme, oferecendo momentos familiares muito bonitos, além de uma sagacidade divertida de acompanhar.

A 40 minutos do prédio central da NASA está Dorothy Vaughan (Octavia Spencer), uma matemática sagaz e centrada, que será capaz de olhar além e junto com suas colegas de trabalho oferecer ajuda primordial para avanços na NASA. Ela almeja o cargo de Supervisora a anos, mas este cargo nunca foi oferecido a uma mulher, ainda mais negra. Porém, será sua capacidade de liderança e sagacidade que a levará a um grande reconhecimento.


Octavia Spencer traz uma interpretação segura e eficiente, atuação esta que foi reconhecida e indicada ao #Oscar2017 de Melhor atriz coadjuvante. Apesar de concordar que não é uma atuação tão marcante quanto a da Taraji Hanson, mas fico feliz com o reconhecimento. 

Correndo por trás, e a meu ver, com pouco desenvolvimento, está Mary Jackson (Janelle Monáe), uma matemática aspirante a engenheira que buscará enfrentar todas as dificuldades para realizar seu sonho e se tornar a primeira mulher negra engenheira espacial da NASA. Para tal, esta precisará lutar nos tribunais por uma vaga em uma faculdade primordialmente branca, além de passar por cima dos sentimentos de revolta que começa a ser despertado na comunidade negra por conta de todo o preconceito. 


Janelle Monáe faz uma mulher forte e atrevida que não se cala diante do preconceito e trata isso de forma realista e corajosa. Suas cenas, por mais que sejam pontuais, são boas e divertidas. 

Como se pode ver são personagens tão carismáticas que será impossível você não torcer a todo instante por elas e vibrar com suas vitórias por menores ou maiores que sejam. O elenco deste filme foi reconhecido recentemente pelo SAG Awards - a premiação do sindicato dos atores – com o prêmio de Melhor Elenco. Figuras Ocultas? Não mais.



O PRECONCEITO

“Hidden Figures” é um filme que oferece uma visão sobre dois importantes fatos ocorridos nos 60: a corrida espacial e a segregação. É interessante ver que o filme faz uma ligação direta entre essas duas causas, fazendo refletir em como uma coisa influenciou na outra diretamente.

Logo, de inicio vemos que o programa espacial está em dificuldade e sem pulso para conseguir o que o presidente Kennedy tanto almejava: alcançar a lua até o final da década de 60. Em 1961 os Estados Unidos ainda não haviam conseguido colocar um homem em órbita. Quando Katherine chega acontece quase que um revolução dentro do sistema machista e segregacionista na NASA que era um reflexo do que acontecia em todo o país. 


Essa quebra de paradigma dentro da instituição é quebrado depois de uma frase um tanto estranha, que poderia ter tido mais impacto, mas nada tira o brilho da sua intenção: “Na NASA todo mundo faz xixi da mesma cor”. Tal frase dita pelo chefe do programa oferece uma "reunião" de brancos e negros a fim de que o trabalho flua melhor em sua seção. Depois que isto ocorre há um avanço real, ainda que muitas mentes ainda permaneçam presas aos paradigmas ainda vigentes na sociedade.

Uma das cenas que mais me marcaram neste filme é a chegada de Katherine Globe ao departamento de inteligência matemática. Todos olham para ela quando com apenas um caixa nas mãos adentra no recinto e toma seu lugar,  e é confundida com a faxineira, como um ser alienígena que não deveria estar ali. No final, uma cena parecida ocorre, mas é evidente a diferença de comportamento dos homens ali presentes.

TRILHA SONORA

Você pode conferir a trilha sonora deste filme no Spotify e sinceramente duvido que você consiga ficar parado ou não se sinta feliz com o ritmo e os bons sentimentos trazidos por faixas como “Runnin” e “I see victory”. É um primor a parte. 



INDICAÇÃO AO OSCAR 2017

O filme foi indicado a três Oscars nas categorias de Melhor Filme, Melhor atriz coajuvante e Melhor roteiro adaptado. Com poucas chances em todas as categorias, é um filme que fico feliz de ter tido um reconhecimento e assim muitas pessoas possam ouvir falar e se sentir bem assistindo a um filme simpático e que nos inspira. Afinal, a melhor coisa deste filme é o seu otimismo diante de uma situação tão difícil.


Por Jônatas Amaral

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