[ #OSCAR2017 ] "ATÉ O ÚLTIMO HOMEM" (Hacksaw Rigde, 2016): Um filme de guerra bruto e sensível.

domingo, fevereiro 05, 2017

"Até o último homem" é um filme de guerra pelo qual fui grandemente surpreendido. Acredito que o fator principal para esta surpresa foi a sua história e a sua dualidade ao ser contada. Afinal, é um filme de um homem que se recusa a fazer parte da violência e das mortes brutais da guerra, mesmo estando no campo de batalha, porém é um filme que detém seus grandes trunfos nas cenas de batalha brutais.

A minha relação com filmes de guerra é quase nula, não costumo assistir filmes ficcionais de guerra como "Spartarcus", "Guerra ao Terror", "Tróia", esses épicos grandiosos. Para mim são as vezes enfadonhos demais e as cenas de guerra me cansam. Agora, quando se trata de 2º Guerra Mundial, geralmente eu assisto filmes e mais filmes mas que não demonstram necessariamente a guerra em si, os campos de batalhas. Bom, aí esta mais um trunfo deste filme: é um filme de guerra que me prendeu do inicio ao fim da batalha, sem me cansar ou me entediar. O filme detém apenas uma batalha que justamente dá o título em inglês do filme. Desta forma, ela foi filmada de um jeito que eu, pelo menos, nunca vi nenhum filme do gênero realizando.

Gostaria de comentar sobre alguns aspectos que muito me chamaram atenção e que sob os quais, em minha opinião, reside a força deste filme.

OS FUNDAMENTOS MORAIS CRISTÃOS DO PROTAGONISTA


Eu sou cristão e entendo exatamente os fundamentos sob os quais o protagonista enfrenta. Desmond Doss (Andrew Garfield) é um jovem que se alista ao Exército para juntar a área médica do combate, contudo se recusa a pegar numa arma e matar, tudo baseado nos princípios básicos do cristianismo. É o que se chama de Opositor Consciente. Desta forma, há um embate do que essencialmente é uma guerra armada: destruir o opositor, sem ter pena. A morte está para a guerra quase que 100%. Doss fará algo esplêndido durante a batalha do cume, e aqui reside a parte sensível deste filme.

Eu fico pensando constantemente a cerca de um terceira guerra mundial, o que eu faria? O que eu diria? Será que eu como cristão tomaria uma decisão firme e precisa como a de Desmond Doss? Afinal, "Não matarás" é um dos mandamentos mais assertivos e primordiais que regem nosso país e ética. A morte na guerra não é considerada crime, é vista como necessária. Para quem conhecer os valores de Deus e os segue, essa lógica é absurda. Ainda que, muitos podem argumentar, milhares tenham morrido pelas guerras santas promovidas por lideres "cristãos" na história. 

É um dilema difícil, e deve ter sido ainda mais durante a segunda guerra mundial. Não sei se para ambos os lados, contudo gosto de ver as pessoas do mundo inteiro essencialmente como humanos, não como simples animais opositores.

O filme mostra veemente o lado da América no conflito e obviamente a figura dos japoneses não é colocada em pedestais, mas é atitude de Doss que nos faz pensar em tudo o que já mencionado. Hoje, Desmond Doss de alguma forma é um nome que ficará guardado na minha mente, por conta de suas atitudes registradas pela história e agora em filme, naquela batalha. 
De acordo, com alguns críticos faltou certa coragem para explorar a fundo estes conflitos, o que talvez diminua um pouco a qualidade do roteiro. Contudo, gosto de pensar que talvez não tenha ocorrido na história um momento em que aquele homem tenha se visto numa situação tão extrema que o fizesse abrir mais dos seus valores, por exemplo. É uma visão particular.

AS CENAS  DA BATALHA


Aqui reside a dualidade. Durante toda a primeira hora do filme, temos uma visão calma e sensível de um jovem que se apaixona, que segue seus princípios, alista-se, é humilhado e exaltado diante do que acredita. Tudo poderia nos levar a olhar para aqueles que aceitam a morte como necessária em guerra de uma forma vilanesca e irracional. Contudo, não. Por mais brutal que seja, você compreende os princípios de todos, e entende que ambos os princípios se fizeram presentes para que aconteça o que aconteceu.

As cenas de batalha se iniciam na segunda parte do filme e, mesmo diante dos comentários, eu não esperava uma brutalidade tão grande. Contudo, considere o diretor do filme, responsável por um dos filmes mais sangrentos e violentos que eu já vi, chamado "Paixão de Cristo": Mel Gibson. São membros desfacelados por todos os lados, tripas para um outro lado, corpos sendo explodidos. É o horror da guerra de uma forma cinematográfica, mas com uma grande dose de realismo. E, é tão bem feito. Cada acontecimento é muito bem coreografado a ponto de deixar claro e visível cada evento. 


O final da batalha mistura essa dualidade profundamente, e ali reside o grande ápice de Doss. A frase que ele diz durante toda esta cena ficou gravada na minha mente: "Deus, me ajude a salvar mais um". É sensível e brutal ao mesmo tempo. Além desta cena, duas cenas que podem ser consideradas clichês até certo ponto, mas visualmente são lindas e carregadas de significado. Você saberá quando assistir.

Por fim, "Até o último homem" seria um filme que eu não assistiria normalmente, e que não fosse o Oscar eu teria perdido e deixado passar um filme muito bom e que mexeu bastante comigo. Quem diria que um filme de guerra poderia me proporcionar essa dualidade e me fazer gostar tanto do resultado final.

Por Jônatas Amaral

You Might Also Like

1 comentários

  1. Olá Jônatas, tudo bem?
    Eu também só fui conhecer esse filme na cerimônia do Oscar, e desde já procurei pelo trailer. Essa é a primeira resenha que vejo e amei. Fico feliz em saber que não estou enganada ao pensar que valerá muito pena assisti-lo.
    Abraços!

    http://excentricagarota.blogspot.com.br

    ResponderExcluir

DIA DO ESTUDANTE AMAZON