[OPINIÃO] TUDO PODE ACONTECER: 'MOONLIGHT' MERECEU O #OSCAR2017 DE MELHOR FILME?


O dia 01 de janeiro de cada ano para mim é muito especial por inúmeros motivos, contudo o mais estranho de todos deles é o fato de que minha ansiedade para saber os indicados ao Oscar do ano aumenta consideravelmente a ponto de ser quase obsessivo. Quando essa lista finalmente sai, o mundo ganha uma cor diferenciada. Muitos consideram o Oscar como uma premiação morna, injusta, e tudo mais, contudo ela continua sendo a mais importante premiação do cinema. 

Hoje em dia, o selo de um Oscar nas capas do Dvds ainda chama muita atenção, o que leva muitas pessoas a considerar assistir determinados filmes por serem premiados pela Academia do Cinema. Logo, toda a cerimônia, a premiação em si é muito importante e simbólica. Para nós, simples mortais, amantes de cinema, talvez muito longe de ganhar um homem dourado, a premiação nos oferece uma lista imensa de filmes para considerarmos e assistirmos.

Nos últimos anos, com meu acesso maior a internet e conhecimento prático dela, conseguir ter acesso maior a informações, a filmes, a vídeos dos mais variados indicados ao Oscar. Tentei ao máximo nos últimos anos assistir todos os indicados a categoria Melhor filme. No ano de 2016, foi o primeiro ano que conseguir assistir todos, anteriormente apenas a metade ou um ou dois. Este ano, porém, fui muito além das minhas expectativas. Assistir 45 dos 72 filmes indicados. Mais de 70%. 

No meio de todos esses filmes, este ano,  alguns se destacaram inclusive entraram numa seleta lista de favoritos. Um filme dinamarquês cativou meu coração de uma forma inexplicável. Um filme Iraniano prendeu minha atenção do inicio ao fim em um cinema alternativo de Belém, no Pará. Assisti pela primeira vez um musical no cinema. "La La Land" me ofereceu uma experiência inesquecível. Os documentários em curta metragem foram um desafio imenso de achar, mas quando os achei ampliaram meu horizonte para temas importantes. Soma-se a isto as muitas outras experiências cinematográficas que eu não teria vivido se não fosse o Oscar. Afinal, você ouviu falar de um filme chamado "Terra de Minas"? Não? Eu também não tinha, e quando o vi, pensei: "mais pessoas precisam ver este filme.

Por outro lado, nem sempre você terá experiências boas nessas listas. Eu tive alguns poucos casos, como "Hail, César" que simplesmente achei um filme desnecessário, não assistiria de novo por nada. É diferente com "Manchester à beira mar", eu não assisto de novo porque basta ter seu coração cortado apenas uma vez, vai por mim. Porém, um filme deixou-me em uma enrascada, e este filme é "Moonlight".


Quando ele ganhou o Oscar de Melhor Filme, na noite de ontem (26/02/2017) eu simplesmente não acreditei que aquilo estava acontecendo, principalmente da forma que foi. Se você não sabe do que eu estou falando, dê uma busca no Google. Foi frustrante para mim, afinal eu torcia muito para "A Chegada" levar o maior número de prêmios possível (o que não aconteceu) inclusive o de Melhor Filme. Era difícil, por isso eu estava animado para ver o meu segundo lugar, definitivamente ser consagrado como filme do ano. Estou falando de "La La Land".

Muitos vão discordar de mim, mas peço que tentem me entender, afinal sou só uma opinião num vasto oceano de opiniões até mais relevantes que a minha. Não acho que "Moonlight" devesse ganhar o Oscar de Melhor Filme, mas não digo que ele não merecia. O filme é bom em muitos aspectos e toda a questão da representatividade, a questão social trazida e agora premiada pela primeira vez no Oscar, é digno. Contudo, ressalto haver nesta opinião muito de mim, muito do que eu acho subjetivamente, numa questão mais literal possível da palavra. E só escrevi este texto para ver se tudo isto é exorcizado da minha mente, já que muito com quem comentar.

Eu fiz resenhas neste blog de todos os outros filmes indicados à Melhor Filme, exceto "Moonlight". Porque? A experiência com esse filme foi decepcionante e muito controversa pra mim, o que me levou a simplesmente não sentir vontade de escrever sobre ele. Agora, porém preciso tecer alguns comentários, e um dia espero que alguém compartilhe igualmente deles.

Peço Sua Atenção! =D
Primeiro, eu tinha muita expectativa com o filme, até pelo hype em cima dele, "o possível azarão que pode desbancar o musical do momento. O problema de "Moonlight" para mim é o seu protagonista. O primeiro ato do filme, em minha opinião é excelente, Mashehala Ali é o que faz dele brilhante, assim como Naomi Harris. Até a primeira metade do segundo ato eu estava envolvido com a história,  não com o personagem principal, mas sim com os coadjuvantes. Queria saber mais deles, queria que eles fossem o centro. O drama principal do protagonista é interiorizado demais, é importante, mas, do meio pro final perde um certo peso dramático, e então o filme perde a minha atenção, a minha vontade de continuar assisti-lo. Eu ficava me perguntando: "quando esse filme acaba?", o ato final possui apenas uma cena memorável, mérito de Naomi Harris.

Pelo parágrafo acima você pensa que eu sou só um simples hater maldito. Contudo, peço só uma chance de dizer que eu reconheço os pontos positivos desse filme, contudo cinema é experiência. Você pode ter o melhor filme do mundo na sua frente, mas se ele simplesmente não te tocar, se ele não conseguir te envolver, ou te oferecer uma experiência sensorial (emotiva, auditiva, visual...) ele se tornará para você apenas mais um filme. É o caso de "Moonlight" para este que vos escreve.

Logo, respondendo a pergunta do título, "Moonlight" merece seu Oscar de Melhor Filme por inúmeros motivos. Contudo, para muitos, como eu, o grande vencedor da noite é "La La Land" por ter oferecido essa experiência mais marcante, e fico feliz que este Oscar tenha sido dele por 10 segundos. E fico feliz de este ter sido reconhecido merecidamente com outros seis Oscars, todos merecidos. E assim como eu, tenho certeza que muitos vão lembrar de "A Chegada" como definitivamente o melhor filme de 2016. 

Espero que "Moonlight" com seus atributos e importância possa alcançar mais público, e que estes consigam ter uma experiência melhor que a minha. Que este filme consiga ser um marco importante na história da Academia e na vida de muitas pessoas. Não digo que não irei nunca voltar a assistir este filme, mas precisarei de um tempo para digerir essa frustração de não ver "La La Land" ser consagrado com um Oscar de Melhor Filme. É como diz o ditado, na vida tudo pode acontecer, inclusive eu mudar de ideia sobre "Moonlight" com o tempo.

Por Jônatas Amaral

[#OSCAR2017] "A QUALQUER CUSTO" (Hell or High Water, 2016) : Um inteligente faroeste moderno


"A qualquer curto" trata-se de um filme que traz elementos comuns de um faroeste, contudo se passa nos dias atuais e traz um senso irônico e de alguma forma crítico ao sistema vigente naquela região campestre dos Estados Unidos. É um filme de ação-dramático capaz de entreter com toda a caçada e além de trazer uma ambiguidade interessante e divertida ao espectador.  

O filme traz uma história de dois irmãos que começam a fazer uma sequência de assaltos aos bancos que dominam aquela região do West Texas, para tentar se reerguer financeiramente.  Toby (Cris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster) são esses dois irmãos que perderam tudo, o primeiro é divorciado e o segundo um ex-presidiário. O seu plano não ficará imune a complicações quando o delegado Marcus Halmitton (Jeff Brigdes), prestes a se aposentar, entra no caso ao lado de Alberto Parker (Gil Birmingham). São assaltos à bancos para pagar dívidas aos próprios bancos. 


Alguns aspectos tornam esse filme uma obra instigante e divertida de acompanhar, mas a principal delas são as relações de amizade apresentadas e desenvolvidas ao longo do filme, relações que são capazes de gerar empatia e torcida para ambos os lados da perseguição.

A relação de amizade entre os irmãos é tão verdadeira e profunda que o simples pensamento de que algo possa separá-los gera certa revolta, afinal aqui você torce para os bandidos. Você entende os motivos de cada um de ter entrado naquela situação e percebe que as personalidades são distintas e próximas ao mesmo tempo. Toby é mais responsável e calculador, sempre reconhecendo quando algo pode dar errado e sempre tentando fazer tudo na mais perfeita ordem. Por outro lado, Tanner é impulsivo, explosivo e capaz de fazer tudo para ajudar o irmão, e capaz de fazer tudo para se divertir, quase que com uma loucura amável. São dois personagens intensos que caminham juntos numa direção esquisita, mas que você torce.

A relação de colegas de trabalho e amizade entre os policiais Marcus e Alberto é construída de forma diferente. A amizade deles é baseada de constantes provocações e ofensas da parte de Marcus para Alberto que é de descendência indígena. Você percebe a sinceridade marcante em ambos, ainda que pareça esquisita e constantemente irônica. Eles são responsáveis por trazer diálogos de confronto sobre colonização, nacionalidade e critica social. É como se esses personagens fossem a parte que discute os assuntos que, de alguma forma, afetam os dois irmãos. A força dessa amizade é confirmada na sequência de perseguição final, onde as atitudes são baseadas na honra e na vingança.

A crítica social em torno do sistema bancário, este, sim, o vilão da história, são constantes e feitos de uma forma muito inteligente. Fique atento as placas nas estradas, na pichações nos muros, nos pequenos diálogos, além das imagens panorâmicas que mostram uma região bela que agora é uma reserva extrativista enorme. Outra crítica esta na própria dualidade de comportamentos das populações das cidades, ora bem pacificas ora com o estilo violento e vingativo. São elementos do faroeste antigo ganhando uma voz real e quase verídica no meio desta sequência de assaltos.

Ao final, fica aquela dúvida: "os fins justificam os meios?". Você se depara torcendo para algo que é legalmente errado, mas que por ser por um motivo nobre você até entende. É um roteiro muito bom. 

Por fim, "A qualquer custo" é um filme recheado de dualidade e de boas atuações que realçam relações de "broderagem" marcantes e que merece ser assistido o quanto antes, custe o que custar.

Por Jônatas Amaral 

[#OSCAR2017] "LION: UMA JORNADA PARA CASA" (Lion, 2016): Um filme emocionante.


Quando eu descobrir o motivo de o filme se chamar "Lion" foi uma grata e emocionante surpresa, já que é tão sensível e inesperado. Acredito eu que sensibilidade, emoção e a mensagem de 'nunca desista!' define este filme, que conta com ótimas atuações, dentro de uma história real emocionante, carregada de uma trilha sonora inesquecível. 

Indicado à 6 Oscars este ano, o filme nos conta a história de Saroo (Sunny Pawar) um menino que se perde dos seu irmão numa estação de trem e acaba parando a 1600Km longe de casa. Não conseguindo se comunicar enfrenta o desafio de sobreviver sozinho, até que é adotado por uma família Australiana. Mais de 20 anos depois, não conseguindo superar tudo o que aconteceu, Saroo (Dev Patel) começa uma busca com o auxilio do Google Earth e das suas memórias para encontrar sua família num lugar que até então não existe no mapa.

Avaliando criticamente, a segunda metade do filme perde um pouco do ritmo e do grande impacto que a primeira hora do filme nos traz, deixando alguns relacionamentos pouco desenvolvidos para que a história central seja o maior foco. Contudo, acredito que esse filme se sustente através da emoção e da torcida que nos engajamos para que Saroo encontre e consiga seguir em frente.

Alguns fatores tornam esse filme inesquecível e emocionante:

1- "LION" É UMA HISTÓRIA REAL.


Ao final do filme cenas verídicas dos envolvidos na história são apresentadas e se há alguma dúvida de que aquilo não aconteceu, aquelas cenas deixam tais dúvidas no chão. O que gerou também certa aparência de propaganda do Google Earth, contudo não é nem de longe, já que a ferramenta foi de fato essencial para a vida do personagem.


O filme não é ousado para deixar explicito determinadas coisas, o que é bom e ruim ao mesmo tempo. Algumas coisas são amenizadas, como a sugestão clara de que as crianças eram "vendidas" e provavelmente abusadas sexualmente. Isso é sugerido no filme, mas, ainda bem, não explorado já que seria difícil demais de encarar. A própria sensação de abandono e pequenez diante de um mundo tão grande e desconhecido já é doloroso e emocionante demais.

2- SUNNY PAWAR e DEV PATEL como SAROO


Ambos os atores são incríveis como Saroo, conseguindo expressar sentimentos tão doídos através, simplesmente, do seu olhar. 

Sunny Pawar consegue mostrar todo o sentimento de perda, abandono, medo e coragem na sua atuação. Você se encanta pelo Saroo no primeiro sorriso, na primeira frase. É um ator tão jovem e com uma presença em cena que tira o fôlego. A cena de fuga do perigo dele são intensas e a última cena dele com a Nicole Kidman é de cortar o coração e sorrir diante de tanto talento.

Dev Patel interpreta o personagem já adulto e os sentimentos são relativamente diferentes. Ele conquistou uma família, é alguém forte na relação da mãe com o outro irmão, também adotado. De inicio parece que houve um amenizar de tudo aquilo que ele viveu, mas as lembranças continuam lá. Contudo, é nos momentos finais da história que a atuação dele é impactante e digna de sua indicação ao Oscar. Ele consegue mostrar a dor e o trauma, a saudade, o medo de perder a sua família, o medo de nunca encontrar a sua família biológica. A cena final é recheada de uma emoção real, ela podia ser completamente em silêncio e teria o mesmo impacto.

São atuações de dois atores que com certeza poderão nos surpreender muito ao longo dos anos. 

3- A TRILHA SONORA

A trilha sonora tem um peso nessa história. Ela é constantemente marcante e presente, você nunca esquece dela, porque ela está constantemente presente. De alguma forma é manipulativa, mas também não é, afinal ela soma argumentos para a ação visual em cena. A história é muito emocionante. É um trilha sonora carregada de emoção, mistério, e sentimento de saudade. É incrível isso porque você sente só de ouvir as melodias.

Quer fazer um experimento? A trilha sonora está disponível no Spotify, então, simplesmente a escute. É profunda e não barulhenta. É suave e emocionante, ajudando a criar o clima e mostrar o sentimento envolvido naquelas cenas. 

4- AS MÃES


Nicole Kidman e Priyanka Bose são as atrizes coadjuvantes de destaques desse filme, trazendo uma seriedade e sentimento de proteção e coragem  que inspira e é entendível e palpável. 

Gosto de dizer que todo o elenco do núcleo indiano é excelente em suas pequenas participações, sempre importantes e marcantes. Já no outro núcleo, Rooney Mara é subaproveitada, não trazendo nada de especial, apesar de ser um fio condutor para determinadas ações.

POR FIM,

"Lion: uma jornada para casa" traz um história a qual você irá torcer e se envolver com muita facilidade e te trará um sentimento constante de "Nunca desista!". Nunca desista. Uma história como essa é para guardar no coração e sempre lembrar que é possível haver esperança sempre e constantemente, e fazer com que esta esperança lhe leve para seus sonhos e objetivos. 

 Por Jônatas Amaral

[ #OSCAR2017 ] MANCHESTER À BEIRA MAR (Manchester by the sea, 2016): Um drama sobre luto e a dificuldade de perdoar.

Na noite de 07/02/2016, chovia moderadamente na minha cidade e já estava um clima meio frio, e quando achei que nada poderia deixar aquela noite mais fria, eu decidi assistir "Manchester à beira mar", do diretor Kenneth Lonergan. É um filme que se passa no inverno, numa cidade naturalmente com temperaturas mais baixas, logo todo a ambientação, fotografia é feita de neve, frio, gelo... somada com a frieza dos sentimentos de luto e culpa que perpassa a maioria dos personagens. 

Não é um filme fácil de assistir, nem chega perto disso. É um drama com um ritmo mais ameno, calmo, onde cada cena parece ir ao máximo do máximo, parece que o diretor queria tirar a menor migalha daquelas cenas, mesmo que estas nem sejam tão surpreendentes ou impactantes. É muito real em muitos aspectos. Os diálogos são muito cotidianos. 

Da mesma forma que é um filme relativamente difícil de assistir, comentar sobre ele também exige de mim certo "calor de momento" já que todas as vezes que penso no filme recai sobre mim pensamentos de melancolia, luto e tristeza, ainda que o filme tenha um "final feliz". É por causar esse tipo de sentimento que, talvez, eu o considere um bom filme. E as indicações (Melhor filme, ator, atriz e ator coajuvante, diretor e roteiro original) ao #Oscar2017 para mim são realmente válidas, e é a partir delas que farei os meus destaques.

MELHOR ATOR - CASEY AFLECK


A história gira em torno de Lee (Casey Affleck) que é um 'faz-tudo' em um condomínio na cidade de Boston. Um homem inexpressivo, beirando a passividade completa, de comportamento, aparentemente, calmo. Contudo, aos poucos, vemos certa violência emergindo deste homem, principalmente quando está alcoolizado. Quando seu irmão Joe (Kyle Chandler) morre, o testamento deste passava a guarda seu filho Patrick (Lucas Hedge), menor de idade, para o tio Lee Chandler.

Lee se ver diante de uma situação inesperada ao ter que voltar para a cidade de Manchester e reviver as lembranças mais duras do seu passado. E é a partir destas lembranças que percebemos e entendemos o motivo de termos um personagem tão fechado e introspectivo, e com reações violentas. 

De inicio Casey Aflleck parece oferecer uma atuação sem talento, inexpressiva e quase apática, fazendo com que pessoas que não o conheciam, como eu, aceitar o fato de que ele realmente não era um bom ator. Contudo, com o desenrolar da história é de se admirar a performance, principalmente diante de cenas tão emocionalmente complicadas. Em geral, teríamos grandes monólogos e um despejar gritantes de palavras que expressariam, talvez, um pouco da dor do personagem. Mas, isso nunca acontece de fato. É um atuação muito interna.

Você percebe a dor do personagem pelas suas reações ou não reações, e, em geral, não é comum vermos isso e também não é fácil. Pensa, ser apático e sofrido ao mesmo tempo, tendo um mundo inteiro seguindo em frente, enquanto você está parado no passado, na sua culpa e se vendo ter que encarar uma responsabilidade, a qual você não acha está preparado. Este é Lee Chandler.

MELHOR DIRETOR E ROTEIRO ORIGINAL 

A história deste filme é triste e melancólica constantemente. Desta forma, eu concordo muito com o que disse o Tiago do Canal Meus 2 Centavos, que percebeu uma falta de sutileza, fazendo com que toda a tristeza e dor desta história fosse jogada no público sem preparo, sem pena. É um filme gelado, triste do inicio ao fim. 

O roteiro é inteligente na forma que constrói todos os seus personagens, além de ser extramente realista na forma que trata cada situação. São muitos personagens que interagem e fazem parte da dinâmica geral da história, todos eles são de alguma forma importantes. É um roteiro longo e extenso, mas bonito. O que não quer dizer que é "fácil de se assistir", e também não quer dizer que não seja bom de assistir. É neste ponto que, acredito eu, está o talento do diretor, que é também o roteirista. Oferecendo um ritmo mais estimulante no inicio, e na segunda parte estendendo tudo ao máximo, tirando o melhor de cada atuação e situação

A música é algo que me chamou atenção, as vezes sendo um porta voz do que está acontecendo dentro do personagem, ainda que o seu exterior não o demonstre. É uma melodia caótica e triste, diante de uma expressão impassível exteriormente.

É um roteiro que fala sobre a persistência do luto, da persistência da culpa e de nunca se perdoar, além de mostrar a dificuldade que é perdoar os outros e a si mesmo, e, por fim, é uma história sobre tentar recomeçar e não conseguir. É um filme para você assistir, talvez, uma única vez. 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE - MICHELLE WILLIAMS


Michelle Williams interpreta Randi, ex-mulher de Lee. O momento que você compreende, enfim, onde foi que a história dos dois acabou, você olha para o Lee de outra forma. E a última cena de Michelle Williams é de corta o coração, porque é uma cena que oferece uma informação subentendida de algo do passado e de um sentimento guardado e sofrido, que quer ser colocado para fora. Por essa cena, ela merece a indicação e, sim, o Oscar na categoria de atriz coadjuvante. 

MELHOR ATOR COADJUVANTE - LUCAS HEDGE


Patrick Chandler é o personagem que traz ao filme certo "calor humano da juventude". É um rapaz de de dezesseis anos que não quer perder o que já conquistou, ao mesmo tempo que vive o luto da perda do pai e de ter que esperar tanto para enterrá-lo. Além disso, como diz Tiago Bertoli, reconhecer que precisa de um figura paterna. A relação que é construída dele com o Lee, como seu tutor, é muito bonita. O filme começa com eles dois e termina com eles dois. O que é dito na primeira cena do filme e quase um reflexo doído do que é dito no final.


Lucas Hedge traz essa vida e dor em sua atuação. Eu sempre acho que uma boa atuação é quando você ver um personagem como esse e você acredita veementemente que ele é plausível, que aquilo existe, e que não é um ator num filme, é a história de uma pessoa que poderia ser seu vizinho. Aí está o brilhantismo de todas as atuações desse filme. TODAS! 

MELHOR FILME, Será?

Poderia considerá-lo, enfim, o Melhor Filme dentre os indicados deste ano? Definitivamente Não. Mas, talvez um dos filmes mais melancólicos e profundos sobre sentimentos humanos que eu já vi. Um dos mais diferentes, pois você não tem A grande cena, Os grandes enfrentamentos. Não. É quase a vida como ela é e gosto disso, por mais que seja difícil de assistir. A vida é recheada de fatos inexplicáveis e de reconstruções inesperadas. Confesso:: "Manchester à beira mar" mexeu com algo dentro de mim. 

Por Jônatas Amaral

[ #OSCAR2017 ] "ATÉ O ÚLTIMO HOMEM" (Hacksaw Rigde, 2016): Um filme de guerra bruto e sensível.

"Até o último homem" é um filme de guerra pelo qual fui grandemente surpreendido. Acredito que o fator principal para esta surpresa foi a sua história e a sua dualidade ao ser contada. Afinal, é um filme de um homem que se recusa a fazer parte da violência e das mortes brutais da guerra, mesmo estando no campo de batalha, porém é um filme que detém seus grandes trunfos nas cenas de batalha brutais.

A minha relação com filmes de guerra é quase nula, não costumo assistir filmes ficcionais de guerra como "Spartarcus", "Guerra ao Terror", "Tróia", esses épicos grandiosos. Para mim são as vezes enfadonhos demais e as cenas de guerra me cansam. Agora, quando se trata de 2º Guerra Mundial, geralmente eu assisto filmes e mais filmes mas que não demonstram necessariamente a guerra em si, os campos de batalhas. Bom, aí esta mais um trunfo deste filme: é um filme de guerra que me prendeu do inicio ao fim da batalha, sem me cansar ou me entediar. O filme detém apenas uma batalha que justamente dá o título em inglês do filme. Desta forma, ela foi filmada de um jeito que eu, pelo menos, nunca vi nenhum filme do gênero realizando.

Gostaria de comentar sobre alguns aspectos que muito me chamaram atenção e que sob os quais, em minha opinião, reside a força deste filme.

OS FUNDAMENTOS MORAIS CRISTÃOS DO PROTAGONISTA


Eu sou cristão e entendo exatamente os fundamentos sob os quais o protagonista enfrenta. Desmond Doss (Andrew Garfield) é um jovem que se alista ao Exército para juntar a área médica do combate, contudo se recusa a pegar numa arma e matar, tudo baseado nos princípios básicos do cristianismo. É o que se chama de Opositor Consciente. Desta forma, há um embate do que essencialmente é uma guerra armada: destruir o opositor, sem ter pena. A morte está para a guerra quase que 100%. Doss fará algo esplêndido durante a batalha do cume, e aqui reside a parte sensível deste filme.

Eu fico pensando constantemente a cerca de um terceira guerra mundial, o que eu faria? O que eu diria? Será que eu como cristão tomaria uma decisão firme e precisa como a de Desmond Doss? Afinal, "Não matarás" é um dos mandamentos mais assertivos e primordiais que regem nosso país e ética. A morte na guerra não é considerada crime, é vista como necessária. Para quem conhecer os valores de Deus e os segue, essa lógica é absurda. Ainda que, muitos podem argumentar, milhares tenham morrido pelas guerras santas promovidas por lideres "cristãos" na história. 

É um dilema difícil, e deve ter sido ainda mais durante a segunda guerra mundial. Não sei se para ambos os lados, contudo gosto de ver as pessoas do mundo inteiro essencialmente como humanos, não como simples animais opositores.

O filme mostra veemente o lado da América no conflito e obviamente a figura dos japoneses não é colocada em pedestais, mas é atitude de Doss que nos faz pensar em tudo o que já mencionado. Hoje, Desmond Doss de alguma forma é um nome que ficará guardado na minha mente, por conta de suas atitudes registradas pela história e agora em filme, naquela batalha. 
De acordo, com alguns críticos faltou certa coragem para explorar a fundo estes conflitos, o que talvez diminua um pouco a qualidade do roteiro. Contudo, gosto de pensar que talvez não tenha ocorrido na história um momento em que aquele homem tenha se visto numa situação tão extrema que o fizesse abrir mais dos seus valores, por exemplo. É uma visão particular.

AS CENAS  DA BATALHA


Aqui reside a dualidade. Durante toda a primeira hora do filme, temos uma visão calma e sensível de um jovem que se apaixona, que segue seus princípios, alista-se, é humilhado e exaltado diante do que acredita. Tudo poderia nos levar a olhar para aqueles que aceitam a morte como necessária em guerra de uma forma vilanesca e irracional. Contudo, não. Por mais brutal que seja, você compreende os princípios de todos, e entende que ambos os princípios se fizeram presentes para que aconteça o que aconteceu.

As cenas de batalha se iniciam na segunda parte do filme e, mesmo diante dos comentários, eu não esperava uma brutalidade tão grande. Contudo, considere o diretor do filme, responsável por um dos filmes mais sangrentos e violentos que eu já vi, chamado "Paixão de Cristo": Mel Gibson. São membros desfacelados por todos os lados, tripas para um outro lado, corpos sendo explodidos. É o horror da guerra de uma forma cinematográfica, mas com uma grande dose de realismo. E, é tão bem feito. Cada acontecimento é muito bem coreografado a ponto de deixar claro e visível cada evento. 


O final da batalha mistura essa dualidade profundamente, e ali reside o grande ápice de Doss. A frase que ele diz durante toda esta cena ficou gravada na minha mente: "Deus, me ajude a salvar mais um". É sensível e brutal ao mesmo tempo. Além desta cena, duas cenas que podem ser consideradas clichês até certo ponto, mas visualmente são lindas e carregadas de significado. Você saberá quando assistir.

Por fim, "Até o último homem" seria um filme que eu não assistiria normalmente, e que não fosse o Oscar eu teria perdido e deixado passar um filme muito bom e que mexeu bastante comigo. Quem diria que um filme de guerra poderia me proporcionar essa dualidade e me fazer gostar tanto do resultado final.

Por Jônatas Amaral

[ #OSCAR2017 ] "ESTRELAS ALÉM DO TEMPO" (Hidden Figures, 2016) : Um filme de goodvibes



Quando a música “Runnin” de Pharell Williams toca pela primeira vez, num momento tragicômico, a primeira sensação que você sente é: que filme legal de assistir! É uma canção que representa bem o aspecto otimista do filme. “Estrelas além do tempo” é um filme carismático e de goods feels, mesmo que seja pautado de uma representação da segregação racial existente nos Estados Unidos na década de 60.

O título “Estrelas além do tempo” da versão brasileira não representa, a meu ver, a história, já o título original “Hidden Figures” que em tradução livre seria “Figuras Ocultas” consegue transpor a atmosfera que o filme traz, dando voz e luz a grandes mulheres esquecidas no meio de grandes “heróis” americanos durante a Guerra Fria.


AS FIGURAS OCULTAS


O filme conta a história de três mulheres que são verdadeiros gênios da matemática, que trabalham na NASA no período de maior desafio do programa espacial norte-americano. Os russos estão ganhando a corrida espacial e poucos avanços significativos acontecem na organização. Katherine Goble (Taraji Hanson) é chamada para compor a equipe principal de inteligência matemática que promove todo esquema para levar o homem ao espaço, contudo é um lugar primordialmente masculino e branco. A sua entrada é vista com desconfiança e preconceito por todos, mas logo começa ganhar seu espaço por conta de sua genialidade e ousadia. 


Taraji Hanson traz uma atuação divertida e na medida dramática necessária, sendo uma personagem muito carismática que carrega a alma do filme. Ela é o ponto alto do filme, oferecendo momentos familiares muito bonitos, além de uma sagacidade divertida de acompanhar.

A 40 minutos do prédio central da NASA está Dorothy Vaughan (Octavia Spencer), uma matemática sagaz e centrada, que será capaz de olhar além e junto com suas colegas de trabalho oferecer ajuda primordial para avanços na NASA. Ela almeja o cargo de Supervisora a anos, mas este cargo nunca foi oferecido a uma mulher, ainda mais negra. Porém, será sua capacidade de liderança e sagacidade que a levará a um grande reconhecimento.


Octavia Spencer traz uma interpretação segura e eficiente, atuação esta que foi reconhecida e indicada ao #Oscar2017 de Melhor atriz coadjuvante. Apesar de concordar que não é uma atuação tão marcante quanto a da Taraji Hanson, mas fico feliz com o reconhecimento. 

Correndo por trás, e a meu ver, com pouco desenvolvimento, está Mary Jackson (Janelle Monáe), uma matemática aspirante a engenheira que buscará enfrentar todas as dificuldades para realizar seu sonho e se tornar a primeira mulher negra engenheira espacial da NASA. Para tal, esta precisará lutar nos tribunais por uma vaga em uma faculdade primordialmente branca, além de passar por cima dos sentimentos de revolta que começa a ser despertado na comunidade negra por conta de todo o preconceito. 


Janelle Monáe faz uma mulher forte e atrevida que não se cala diante do preconceito e trata isso de forma realista e corajosa. Suas cenas, por mais que sejam pontuais, são boas e divertidas. 

Como se pode ver são personagens tão carismáticas que será impossível você não torcer a todo instante por elas e vibrar com suas vitórias por menores ou maiores que sejam. O elenco deste filme foi reconhecido recentemente pelo SAG Awards - a premiação do sindicato dos atores – com o prêmio de Melhor Elenco. Figuras Ocultas? Não mais.



O PRECONCEITO

“Hidden Figures” é um filme que oferece uma visão sobre dois importantes fatos ocorridos nos 60: a corrida espacial e a segregação. É interessante ver que o filme faz uma ligação direta entre essas duas causas, fazendo refletir em como uma coisa influenciou na outra diretamente.

Logo, de inicio vemos que o programa espacial está em dificuldade e sem pulso para conseguir o que o presidente Kennedy tanto almejava: alcançar a lua até o final da década de 60. Em 1961 os Estados Unidos ainda não haviam conseguido colocar um homem em órbita. Quando Katherine chega acontece quase que um revolução dentro do sistema machista e segregacionista na NASA que era um reflexo do que acontecia em todo o país. 


Essa quebra de paradigma dentro da instituição é quebrado depois de uma frase um tanto estranha, que poderia ter tido mais impacto, mas nada tira o brilho da sua intenção: “Na NASA todo mundo faz xixi da mesma cor”. Tal frase dita pelo chefe do programa oferece uma "reunião" de brancos e negros a fim de que o trabalho flua melhor em sua seção. Depois que isto ocorre há um avanço real, ainda que muitas mentes ainda permaneçam presas aos paradigmas ainda vigentes na sociedade.

Uma das cenas que mais me marcaram neste filme é a chegada de Katherine Globe ao departamento de inteligência matemática. Todos olham para ela quando com apenas um caixa nas mãos adentra no recinto e toma seu lugar,  e é confundida com a faxineira, como um ser alienígena que não deveria estar ali. No final, uma cena parecida ocorre, mas é evidente a diferença de comportamento dos homens ali presentes.

TRILHA SONORA

Você pode conferir a trilha sonora deste filme no Spotify e sinceramente duvido que você consiga ficar parado ou não se sinta feliz com o ritmo e os bons sentimentos trazidos por faixas como “Runnin” e “I see victory”. É um primor a parte. 



INDICAÇÃO AO OSCAR 2017

O filme foi indicado a três Oscars nas categorias de Melhor Filme, Melhor atriz coajuvante e Melhor roteiro adaptado. Com poucas chances em todas as categorias, é um filme que fico feliz de ter tido um reconhecimento e assim muitas pessoas possam ouvir falar e se sentir bem assistindo a um filme simpático e que nos inspira. Afinal, a melhor coisa deste filme é o seu otimismo diante de uma situação tão difícil.


Por Jônatas Amaral

DIA DO ESTUDANTE AMAZON