[ #OSCAR2017 ] "A CHEGADA" (ARRIVAL, 2016) : Um filme de reflexões intrigantes


“A Chegada” é um filme surpreendente por inúmeros motivos. Toda a surpresa se inicia por conta de seu trailer que oferece uma visão, talvez, equivocada do que realmente o filme é. O trailer é carregado de uma sombra de mistério que parece presumir grandes sequências de ação, e este não é um filme de ação, muito menos um filme de catástrofe causada por alienígenas. É mais para complexo e intimista.

O filme é baseado em um conto de Ted Shiang, contido no livro “A História da sua vida”, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca. Temos aqui uma ficção científica inteligente e complexa em seus conceitos, utilizando de artifícios para alcançar as grandes massas. A história se inicia quando 12 naves alienígenas pousam em 12 países diferentes, e ninguém consegue descobrir o propósito deles aqui na terra. Desta forma, a Doutora em Lingüística Louise Banks é recrutada para tentar traduzir a fala dos seres. Ao descobrir que seria impossível traduzir a partir da fala dos seres, ela tenta uma abordagem complexa e difícil que envolverá um complexo sistema de escrita dos alienígenas. Neste meio tempo, o mundo em busca de respostas, que não chegam, começa a sucumbir ao medo do desconhecido.

Diante desta premissa, teremos um filme focalizado na Louise onde seus medos, suas inseguranças e suas íntimas visões vão permear todo o processo de descoberta de um propósito sensacional e diferente.


O grande diferencial deste filme está num roteiro e numa edição primorosa que nos leva a refletir sobre o poder da linguagem, da paciência, e da nossa perspectiva de tempo. Afinal, o uso da linguagem nos une e nos distancia ao mesmo tempo, agora pense: e se tivéssemos uma linguagem universal? Já houve uma tentativa mal sucedida de criar isto, se chama Esperanto. O filme nos faz refletir sobre isto. E mais, e se você tivesse o poder de ver toda a sua vida e conhecê-la do inicio ao fim?


A história é interessante em quase todo o seu desenrolar, falhando apenas em alguns momentos em que parece haver cenas demais para dizer e mostrar a mesma coisa ou simplesmente nada, deixando o filme, às vezes, um pouco repetitivo e cansativo. Porém, toda a trama que envolve a descoberta de uma nova língua e forma de pensar é precisa e envolvente. Contudo, é um filme que necessita de atenção, e de um pouco de reflexão após a sessão para processar tudo o que você ver. Pode não funcionar para alguns. A ação é apenas sugestiva, a ameaça crescente é dita não mostrada. 

Amy Adams as Dr.ª Louise Banks 










O filme, em termos de atuação, é da Amy Adams. A atuação dela é forte e segura, afinal Louise é uma personagem contida, logo toda a atuação é muito interna, focada nos sentimentos e na dificuldade de não conseguir compreender tão rápido, tanta coisa a sua volta e na sua mente. Acredito que de fato a não indicação da atriz ao Oscar 2017 é injusta. Pelo menos até então.

Aos amantes de linguística, como eu, entenderão, talvez, com mais facilidade todo o processo que envolve o contato com os aliens promovido pela Louise. A construção do significado e sentido de um sistema de escrita. A importância do diálogo e da proximidade para haver o entendimento mútuo. 

O visual do filme também é um destaque, oferecendo cenas de uma confusão calculada para criar alguns conceitos científicos intrigantes e, por mais que você pense, difíceis de explicar. Neste caso, o mistério é uma dádiva. 

Por fim, “A Chegada” é um filme inteligente e enigmático, que precisa de uma dose de atenção para ser totalmente entendido. Um filme de ficção científica que precisa entrar na sua lista.

Por Jônatas Amaral

Jônatas Amaral

Sou Jônatas Amaral, 22 anos. Paraense, Brasileiro. Formado em Letras - Língua Portuguesa. Um sonhador por natureza.

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