[ #OSCAR2017 ] "A CHEGADA" (ARRIVAL, 2016) : Um filme de reflexões intrigantes


“A Chegada” é um filme surpreendente por inúmeros motivos. Toda a surpresa se inicia por conta de seu trailer que oferece uma visão, talvez, equivocada do que realmente o filme é. O trailer é carregado de uma sombra de mistério que parece presumir grandes sequências de ação, e este não é um filme de ação, muito menos um filme de catástrofe causada por alienígenas. É mais para complexo e intimista.

O filme é baseado em um conto de Ted Shiang, contido no livro “A História da sua vida”, publicado no Brasil pela Editora Intrínseca. Temos aqui uma ficção científica inteligente e complexa em seus conceitos, utilizando de artifícios para alcançar as grandes massas. A história se inicia quando 12 naves alienígenas pousam em 12 países diferentes, e ninguém consegue descobrir o propósito deles aqui na terra. Desta forma, a Doutora em Lingüística Louise Banks é recrutada para tentar traduzir a fala dos seres. Ao descobrir que seria impossível traduzir a partir da fala dos seres, ela tenta uma abordagem complexa e difícil que envolverá um complexo sistema de escrita dos alienígenas. Neste meio tempo, o mundo em busca de respostas, que não chegam, começa a sucumbir ao medo do desconhecido.

Diante desta premissa, teremos um filme focalizado na Louise onde seus medos, suas inseguranças e suas íntimas visões vão permear todo o processo de descoberta de um propósito sensacional e diferente.


O grande diferencial deste filme está num roteiro e numa edição primorosa que nos leva a refletir sobre o poder da linguagem, da paciência, e da nossa perspectiva de tempo. Afinal, o uso da linguagem nos une e nos distancia ao mesmo tempo, agora pense: e se tivéssemos uma linguagem universal? Já houve uma tentativa mal sucedida de criar isto, se chama Esperanto. O filme nos faz refletir sobre isto. E mais, e se você tivesse o poder de ver toda a sua vida e conhecê-la do inicio ao fim?


A história é interessante em quase todo o seu desenrolar, falhando apenas em alguns momentos em que parece haver cenas demais para dizer e mostrar a mesma coisa ou simplesmente nada, deixando o filme, às vezes, um pouco repetitivo e cansativo. Porém, toda a trama que envolve a descoberta de uma nova língua e forma de pensar é precisa e envolvente. Contudo, é um filme que necessita de atenção, e de um pouco de reflexão após a sessão para processar tudo o que você ver. Pode não funcionar para alguns. A ação é apenas sugestiva, a ameaça crescente é dita não mostrada. 

Amy Adams as Dr.ª Louise Banks 










O filme, em termos de atuação, é da Amy Adams. A atuação dela é forte e segura, afinal Louise é uma personagem contida, logo toda a atuação é muito interna, focada nos sentimentos e na dificuldade de não conseguir compreender tão rápido, tanta coisa a sua volta e na sua mente. Acredito que de fato a não indicação da atriz ao Oscar 2017 é injusta. Pelo menos até então.

Aos amantes de linguística, como eu, entenderão, talvez, com mais facilidade todo o processo que envolve o contato com os aliens promovido pela Louise. A construção do significado e sentido de um sistema de escrita. A importância do diálogo e da proximidade para haver o entendimento mútuo. 

O visual do filme também é um destaque, oferecendo cenas de uma confusão calculada para criar alguns conceitos científicos intrigantes e, por mais que você pense, difíceis de explicar. Neste caso, o mistério é uma dádiva. 

Por fim, “A Chegada” é um filme inteligente e enigmático, que precisa de uma dose de atenção para ser totalmente entendido. Um filme de ficção científica que precisa entrar na sua lista.

Por Jônatas Amaral

[#OSCAR2017] "FENCES" (2016) : Um filme de confrontos


Baseada em uma peça de teatro de 1983 que surpreendeu a muitos e ganhou os maiores prêmios dos palcos norte-americanos, “Fences” teve sua adaptação realizada em 2016 para os cinemas, dirigida por Denzel Washington, e com o mesmo elenco que recentemente realizou a peça na Broadway. Estrelado por Denzel e Viola Davis, temos um filme dramático e tenso retratando como o meio nos molda, nos modifica e nos fere, ou nos faz ser livres. É um filme que fala sobre prisões interiores.

Troy Maxon é um trabalhador da companhia de saneamento, tendo a função de recolher o lixo das pessoas. Seu maior sonho era ser um jogador de baseball, mas por conta de todo o preconceito vigente, não se aceitava ter homens negros nos times. Essa e outras frustrações de sua vida difícil o tornaram um homem ferido e, dependendo do ponto de vista, cruel. Casou-se com Rose (Viola Davis) depois de um período em que enfrentou a criminalidade, a prisão, a fome, o inicio de uma família. Ao lado de Rose, construiu uma família. Teve dois filhos Lyons (Russel Hornsby) e com Rose teve Cory (Jovan Adepo).

O enredo do filme gira em torno da vida de Troy e todas as interações com os personagens coadjuvantes são para enfatizar determinados aspectos da vida deste. Em determinados momentos temos a voz de cada personagem ganhando vida, mas é na tríade Troy-Rose-Cory que o filme emociona e quase chega a chocar. A causa do choque está no texto brilhante de Augusto Wilson. É um texto que te confronta com perguntas e reações que alcançam o fundo da alma. Perguntas e respostas que você nunca pensa em ouvir, e soam quase que cruéis às vezes.

Eu tive a impressão que Troy é o protagonista e o vilão ao mesmo tempo da história. Porém, ao mesmo tempo, podemos refletir que o vilão é o próprio meio, já que a forma com que Troy cria o filho o fere, mas também o amadurece, e que advindo de coisas que ele viveu e experimentou. E é estas construções de personagem que tornam este filme uma preciosidade. Nesta resenha quero destacar três momentos, três cenas que me marcaram para a vida. Darei nomes a elas e provavelmente haverá detalhes da história.

PORQUE NUNCA GOSTOU DE MIM?


Esta é uma pergunta feita por Cory ao pai, e o que mais surpreende nesta cena é a perspectiva de responsabilidade paterna sobre um filho. A resposta de Troy é dura e cruel. Se você ver a reação das pessoas no teatro diante da mesma cena você entende ainda mais, não porque as pessoas ficam chocadas, não. Elas riem, porque acham que é uma piada, mas não é.

Esta é uma cena que está no trailer do filme e já mostra o ideal de pai que Troy têm. E isto se reflete ao longo de toda a interação com o filho ao longo do filme. O pai quer que ele seja alguém, mas não seja como ele. Não viva as mesmas coisas que ele. Contudo, torna as suas vontades e traumas uma prisão ao próprio filho. É como uma vontade excessiva de inserir no filho um respeito que só é conseguido através do medo.

Esta é uma cena que incomoda. 


WHAT ABOUT MY LIFE? (E quanto a minha vida?)


Em determinado momento do filme, Viola Davis detém o seu grande e mais importante momento dentro do filme. Diante das circunstâncias em que ela se descobre repentinamente, depois de uma revelação feita por Troy, Rose ver sua família sendo destruída diante dos seus olhos.

Troy tenta explicar o seu lado da melhor forma possível e temos aqui mais uma vez a dualidade. Você entende Troy, mas não aprovamos de forma alguma sua atitude, as suas palavras. Suas palavras beiram ao ridículo diante da situação, mas são sinceras. Até o ponto de ele colocar para fora o sentimento de estagnação de uma vida, e é então que temos um monólogo forte e intenso que começa com a frase: “Eu fique parada junto com você” e vai alcançando seu ápice com as seguintes frases: “E quanto a minha vida? E quanto a mim?”. É uma cena triste e difícil de assistir, afinal “há pessoas que constroem cercas para manter coisas de fora, mas há outras que constroem cercas para manter as coisas dentro”, Rose é o segundo tipo.

Rose ficou presa no papel de esposa durante 18 anos e tudo o que ela fez foi para manter a felicidade e sua determinação de ter uma família forte e direita.

AGORA É ENTRE EU E VOCÊ... MAS NÃO SERÁ FÁCIL. 

Esta é ultima cena que eu gostaria de destacar. É a ultima cena de Troy. É um confronto final entre pai e filho. É um momento em que Troy está sem moral, sem cor, sem vida. É um momento em que Cory não tem mais qualquer respeito pelo pai, a ponto de dizer que ali o pai não significava mais nada. É mais uma vez, uma cena difícil tanto pela dureza das palavras, quanto pelas reações violentas. É o detalhe final da criação de um homem.

Após esta cena, temos um epílogo belo e sensível, onde tudo é nos dito. E, observamos a grandeza de um homem e tudo aquilo que ele produziu seja de bom ou ruim dentro da vida das pessoas que ele tocou.

É um filme baseado na grandeza de seus personagens e nos seus diálogos. Não é uma obra visual propriamente dita, tudo é dito. Tudo é colocado em palavras. Simbolicamente, as cercas são construídas e destruídas por palavras.

O diretor dinamizou bem as cenas, mas toda a construção cênica e a posição dos atores em cena são bem teatrais. É quase uma peça ganhando vida nos cinemas, tendo o auxilio de tudo o que essa modalidade oferece. É um filme para ter reações e sensações através de inteligentes confrontos verbais.

Por Jônatas Amaral 

[#OSCAR2017] "LA LA LAND: CANTANDO ESTAÇÕES" (2016)



Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) formam o casal principal de uma história de amor que tem como pano de fundo a conquista dos sonhos de uma vida. Eles representam aqueles “tolos” que correm atrás dos seus desejos mais estranhos e mais impossíveis diante das circunstâncias. Ela, uma atriz que está com dificuldade de conseguir trabalho no ramo. Ele um músico que sonha construir um club de Jazz, com o que ele chama do jazz de verdade. No meio das ruas e lugarejos de Los Angeles o casal passa a descobrir uma linda história surgida da doce e suave sinfonia do amor.

O filme é um musical, como você já deve saber, que faz um tributo aos grandes musicais de outrora. E para os grandes amantes do gênero a experiência proporcionada por esta história será perfeita, diante de tantas e tantas homenagens. E para aqueles que não tiveram e nem têm tanto acesso a esse gênero tão sonhador que é o musical, deverá se surpreender (ou achar estranho, as vezes) com a mescla persistente do passado e do presente nas sequências, durante todo o filme.

Em muitos momentos eu me senti assistindo um filme antigo por conta dos ângulos, da estrutura do cenário e até mesmo da movimentação dos atores até nas cenas mais comuns. Você sabe aquela movimentação caricata que muitas vezes vemos em filmes antigos? Isso está em La La Land. 

Para esta resenha irei comentar cada uma das estações e seus destaques, afinal assunto não falta para comentar.

INVERNO

A primeira parte do filme inicia com uma cena musical em plano sequência espetacular, com uma música dançante. Já é uma cena clássica que mostra sonhadores chegando à cidade que deverá ser o local onde seus sonhos se realizarão. 

Considero esta primeira parte um primor técnico e de construção de personagem. Afinal, somos apresentados as canções que em minha opinião são as melhores do filme: “Another Day of Sun” e “Someone in the Crowd”. São músicas dançantes e que evocam toda uma esperança e sonho que reside naqueles jovens. Esperanças e persistência que vão aos poucos, de certa forma, se quebrando.

PRIMAVERA

O momento mais romântico e recheado de cenas lindas do casal que você irá torcer do inicio ao fim. Recheado de tiradas de humor e diálogos sinceros, clichês, intrigantes, e até irônicos, tendo Sebastian como o autor da maioria deles. É um momento de muitas cores e de uma das sequências mais belas do filme que acontece nas estrelas. A sequência em questão é de uma criatividade e de uma beleza inesquecível.

É neste momento de transição da primavera para o verão que acredito haver algo que pode ser considerado um probleminha do filme.

VERÃO

O ritmo do filme fica um pouco mais lento e suave, até controlado demais eu diria, quando o romance está consolidado, e para alguns, talvez, este ritmo mais calmo do filme possa ser um argumento para achar um filme um pouco longo demais nesse período.

É no verão que vem às principais propostas e os principais questionamentos presentes sobre a essência do que buscamos. Sebastian é confrontado a se “atualizar” para poder tentar conseguir seus sonhos e agradar Mia. Enquanto que Mia decide esquecer os testes e tentar coisas novas, se arriscar. É um momento de risco para ambos e também um momento em que as situações começam a abalar a relação.

OUTONO

O ritmo lento já antes mencionado pode ser considerado como uma preparação para o momento em que as folhas caem. E os sonhos parecem causar dores, parecem doer demais. Onde a realidade começa a pesar. É um dos momentos em que menos temos canções, números musicais. É um momento em que parece que o filme esquece que é um musical. Mas, quando ele lembra, é muito bem lembrado. Pois, somos apresentados a duas performances de Emma Stone que comprovam o motivo da sua Indicação ao Oscar.

Emma Stone me ganhou de vez em sua atuação através de uma reação em uma cena. Reação que me fez sentir algo que eu já havia sentido antes: Frustração por um trabalho não apreciado. Só o olhar, com o sorriso nervoso. Perfeito. E mais adiante com um desempenho perfeito da canção “Audition”, também indicada ao Oscar de Melhor Canção original.

INVERNO

E completando o ciclo, o inverno traz e realiza sonhos. Mas, fica a questão: “O que deixamos para trás na grande caçada da realização dos nossos sonhos?”. Muitos consideram o filme otimista. Eu o considero 90% otimista, afinal o final é agridoce, justo, feliz, até certo ponto. Aos mais sentimentais, prepare-se para uma surpresa. Aliás, a sequência final é uma das mais perfeitas do filme. 

Alias, se nenhum dos motivos e elogios feitos neste texto te convenceu. Se o roteiro é simples demais para você; se musical não é seu gênero favorito; se acha que vai se decepcionar; se não gosta de ver dramas no cinema... Vá ao cinema. Simplesmente, vá ao cinema e assista. Só o espetáculo visual que é o filme já vale o ingresso. Leve sua namorada, seu companheiro, companheira, amigos e apreciem a algo ao mesmo tempo evocativo ao passado e diferente na imensidão do presente.


Por Jônatas Amaral

[RESENHA] "ASSASSIN'S CREED" (2017)


De imediato, ressalto, que não sou um Gamer, longe disso. Desta forma, a minha opinião sobre este filme não levará em conta os jogos, nem mesmo se é um filme com excelentes fã-services, afinal eu não teria como saber. Logo, se por ventura eu disser alguma besteira, me desculpem e me corrijam.

"Assassin's Creed" é a adaptação para cinema da grande franquia de jogos produzida pela Ubisoft. O filme conta a história de Callum (Michael Fassbender) que descobre ser descendente de uma sociedade secreta, Os Assassinos, logo depois de ser "sequestrado" por uma empresa e ser submetido a uma nova tecnologia que permite reviver as memórias de um ancestral. Neste caso, Callum tem Aguillar, assassino espanhol que viveu na Espanha no século XV, como o principal ancestral, e segundo a empresa este foi o último homem a ter acesso a "maçã do éden". Callum é utilizado para descobrir onde está esta ferramenta tão importante.

Logo, no inicio do filme sabemos que existe uma guerra entre o Credo dos Assassinos e os Templários, que possuem visões diferentes da forma como o mundo deve ser guiado, veja:

Créditos: Site Adoro Cinema
Essa divisão de ideias é um dos pontos que de fato me chamaram a atenção durante o filme, mas que nunca é deixada tão clara. Esses momentos em que temos filosofias distintas sendo chocadas e as cenas de batalha são as melhores coisas do filme.

O principal conceito discutido aqui é a visão de liberdade e livre arbítrio que tem como símbolo a própria maçã do éden que, pelo que entendi, é capaz de eliminar o livre arbítrio e fazer com que a sociedade viva sob domínio de uma regra única.  Uma das frases bases do credo dos assassinos é interessante por envolver uma ideia complexa e até impactante:

"Enquanto os homens cegamente seguem a verdade,lembre-se: nada é verdade.Enquanto os homens se limitam pela lei e pela moral, lembre-se: tudo é permitido." 
Questões de ideologias de governo e religião se fazem presentes, tendo uma voz sutil que vez ou outra acaba sendo ofuscada pelas descrições constantes da tecnologia "Animus". Fico imaginando de que forma isso é abordado na história dos jogos. O período histórico em que se passa as memórias de Cal é bem propicio para se ter algo bem amplo, no que diz respeito ao tema, e bonito esteticamente. A Espanha do séc. XV é recriada de forma bem legal e com um efeito de contraluz e fumaça que torna tudo muito misterioso e perigoso visualmente. Já no presente o tom frio em constaste com fumaça, também é legal.

Assim, chego ao ponto baixo do filme. Passamos mais tempo no presente do que no passado, e tanto em um quanto em outro não temos nenhum desenvolvimento de personagens. O Callum é o único que detém um desenvolvimento digno. Drª Sophia (Marion Cottilard) é uma personagem interessante, mas suas motivações são estranhas, terminando num desfecho meio sem nexo, em minha opinião, contudo isto é culpa da falta de desenvolvimento dela no roteiro. Durante todo o filme, ela parece ser alguém presa ao seu passado, utilizando-se da ciência para suprir algo e, em um segundo de cena, parece dar entender uma situação que fica em aberto.

O desfecho é legalzinho, porém ainda acredito que a Espanha do séc. XV é muito mais interessante. Fiquei constantemente com essa sensação de que era no passado que devíamos estar prestando atenção e não no presente.

Ao final do filme cheguei a algumas conclusões: O filme parece não ter tido muita grana a ser investido, contudo a direção soube fazer escolhas interessantes de efeitos para suprir isto, o efeito de sombra e fumaça é um deles. O Fassbender faz um bom trabalho, convence e parece estar bem entregue ao trabalho. E, por fim, uma continuação é bem-vinda, afinal o filme tem muitos ganchos interessantes. Contudo, muitas vezes, o que sustenta um filme é a força de seus personagens, se estes não forem bem desenvolvidos não há empatia, logo a história pode estar fadada ao esquecimento.

Antes de finalizar, quero destacar as cenas de ação que são bem coreografadas e bem filmadas, nos apresentando cenas bem legais de assistir.

Por fim, o filme tem alguns problemas, mas é divertido de assistir. Espero que haja uma continuação para resolver, quem sabe, os problemas de roteiro presentes. As escolhas visuais são legais e deixo uma pergunta: Porque sempre aparece um pássaro nas cenas de transição e na cena dele com o pai? Isso é recorrente, se alguém souber me explicar, deixe nos comentários.

Por Jônatas Amaral

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HOJE NOS CINEMAS!

Trailer:


[#OSCAR2017] "PASSAGEIROS" (Passengers, 2016)


Eu tenho absoluta certeza que você já ouviu falar muito sobre este filme, e nem sempre muito bem. Contudo, esta resenha é para mostrar o porque de eu ter gostado demais deste filme. 

"Passageiros" é um romance com ficção científica, que conta a história de Jim (Chris Pratt) um dos passageiros da nave Starship Avalon, que está navegando no espaço rumo à uma colônia no planeta Homestead II. A viagem dura 120 anos, contudo Jim acorda 90 anos antes do previsto.

Starship Avalon
Durante um longo período de tempo Jim está sozinho na nave e precisa lidar com todos os dilemas que esses acontecimentos acarretam, o principal deles: sua morte. Afinal, ele não chegará ao destino e muito menos poderá voltar. 

Dentro daquela nave, só há um amigo, Arthur (Michael Sheen), um robô Barman. De imediato quando você olha para a nave e tudo que ela é e pode fazer, lembrarás de "Wall-e". As funcionalidades são bem parecidas. Depois de muito tempo se afogando, as vezes é necessário puxar alguém junto para tentar se salvar. 

SPOILER ALERT (pule um parágrafo)

Jim encontra a máquina de hibernação de Aurora (Jeniffer Lawrence) e depois de quase um ano, decide acordá-la. E essa decisão será o fio condutor de todo o resto da narrativa. Uma decisão imoral, mas que nos faz pensar: O que você faria? E depois, será que valeu a pena?

Desta forma, a narrativa do filme é modificada, pois deixamos de ter uma história de solidão, para termos um romance e as angustias de aceitar a morte e viver o momento. É por conta disto que muitos consideraram o segundo o ato o momento em que o filme sai dos trilhos e perde força. Eu não compartilho desta ideia. É justamente neste momento que o filme ganha força, ao colocar novas cartas na mesa e nos levar para um caminho romântico e sensível. Concordo, porém, que a premissa tinha mais possibilidades a ser usadas do que o romance em si, mas a ideia era um romance nas estrelas. E, isso, não há como negar, é muito belo.

O terceiro ato é onde está o maior problema em termos de roteiro, há alguns furos estranhos e algumas ações podem ser previsíveis. Mas, tenho uma ideia: se você emergir dentro da história, ainda que seja previsível você poderá curtir e se emocionar.

Parece que "Gravidade" e "Interestellar" ditaram um fórmula que tem que ser seguida: Todo filme que se passa no espaço tem que ser reflexivo, profundo e enigmático. Tem que ser? É bom ter filmes assim, mas também é bom ter filmes mais simples, mas sem deixar de ser elegantes e divertidos. "Passageiros" é um filme simples, mas elegante e divertido. 

Eu me apaixonei pelo filme e pelos seus personagens, aos mais criativos há uma boa base para fanfics sensacionais sobre a trama. A principal é: Como é Homestead II ? Que tal imaginarmos? Filme, também é para se divertir.  Certa vez, em uma entrevista, uma jornalista critica de cinema disse que filmes é na sua essência um entretenimento, a não ser que um determinado filme surja como algo para ser levado a sério. Essa reflexão é interessante e carregada de muitos "poréns", contudo cabe a esse filme. É um filme para divertir, então vá ao cinema e se divirta naquele ambiente.

Os efeitos especiais deste filme são perfeitos. Há uma cena memorável de falta de gravidade. Espetacular! E, também, preciso elogiar as performances dos atores que são bem convincentes e bem feitas. 


Assisti este filme na comemoração do meu aniversário e simplesmente filme e o adorei. Vou indica-lo sempre porque é bom. Vá ao cinema, embarque com esses passageiros nessa aventura.

Por Jônatas Amaral



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[ #OSCAR2017 ] "CAPITÃO FANTÁSTICO" (Capitan Fantastic, 2016)

         

“Capitão Fantástico” possui diversos motivos para ser considerado um dos melhores filmes de 2016. É um filme especial que nos mostra uma história singela e delicada, com atuações marcantes e surpreendentes. Afinal, você está preparado para ver crianças falando de fascismo, criticando o capitalismo e nos levando para dois pontos de vistas distintos que nos deixaram profundamente em dúvida para qual lado seguir?


O filme conta a história de Ben (Viggo Mortensen) e seus seis filhos que formam uma pequena colônia na floresta, longe da civilização. A ideia de Ben e sua esposa quando os filhos nasceram era de dar à eles uma educação de vida única e que os libertasse das amarras do sistema. As crianças aprendem a lutar, a escalar, leem obras clássicas sobre política, literatura, economia, caçam, praticam exercícios como atletas para uma maratona. O objetivo é a autossuficiência. Uma triste perda leva toda a família a deixar seu isolamento e reencontrar os familiares e este reencontro trará à tona velhos e novos conflitos.

Quero discorrer sobre dois pontos de imediato: a cena de abertura e a cena final. Como espectador a cena inicial deste filme é forte e inesquecível. É uma caça a um cervo que simbolizará um rito de passagem. É uma cena crua e espetacular. Diferente da cena final deste filme é que singela, familiar, e a meu ver intrigante. Pois, a resolução do filme me leva a pensar: Valeu a pena?


Muitos comentários já foram feitas a respeito do desfecho do filme, e venho concordar e discordar deles. Acredito que o filme não precisava do seu ato filme, existe uma cena de Ben na estrada que é belíssima logo após todos os eventos do segundo ato que finalizaria o filme de forma sensível e emocionante. Contudo, o ato final oferece a nós uma delicadeza e um fechamento tão redondo e bonito que eu ficaria triste se estas cenas fossem omitidas. É um belo desfecho.

Este filme não funcionaria sem que o público se importasse e acreditasse naquela família e tudo o que ela faz e representa, contudo as atuações dos seis filhos e do pai são profundas e bem dirigidas que nos fazem acreditar nela. Uma cena logo no inicio do filme corta nosso coração pela sua verdade. As cenas do luto e as cenas em que são discutidos aspectos da política são verazes, elas fazem pensar sobre o sistema que vivemos. Na primeira metade sentimos raiva do sistema, na segunda metade entendemos a positividade do sistema, e então vem a dúvida principal a meu ver: qual a melhor forma de educação de jovens e crianças para uma sociedade com cidadãos mais justos e mais críticos? 

É comum hoje em dia vermos o grito de “FACISTA! FACISTA!”, mas você sabe o que é fascismo? Eu não sabia. E pela boca da filha menor deste filme eu descobrir. Seria correto, crianças tomarem doses pequenas de vinho? Seria sábio falar de sexo de forma clara, usando as palavras para uma criança de 5 ou 6 anos se ela por acaso perguntar a você sobre? As escolas formam cidadãos? São essas perguntas que ficam na mente, através de cenas pontuais e belas dramaticamente.

O filme estreou em outubro de 2016 e alcançou uma nota 82 no RotenTomatoes. O ator Viggo Mortensen está indicado ao Globo de Ouro de Melhor ator em filme de Drama. E não entendo o porquê dele ser tão esquecido pela crítica e aguardo muito que esse filme seja lembrado no Oscar. E ainda que não seja, é um dos melhores filmes deste ano que merece uma atenção particular sua e do público em geral.

“Capitão Fantástico” é um drama sensível com toques fabulescos e até com um tom na medida da dramédia. É um filme apaixonante.


Por Jônatas Amaral