[RESENHA] "MULHER MARAVILHA" (Wonder Woman, 2017)



Eu acompanhei durante todo esse tempo a preparação para o filme solo da Mulher Maravilha: desde seu anúncio, escalação de elenco, divulgação dos posteres, exatamente tudo, inclusive a confusão que foi os possíveis comentários internos ao estúdio de que o filme estava uma bagunça generalizada. Diante de tudo o que li é possível pensar que se em algum momento houve uma confusão no processo de preparação deste filme ele foi solucionado totalmente na edição final.

De fato, "Mulher Maravilha" perde o charme diferenciado no seu ato final, mas tudo o que você sente ao terminar de ver o filme é satisfação. É um filme empolgante na dosagem certa. É um filme que, inclusive, te oferece espaço para curtir com o amigo do lado, de dá uns beijos no parceiro(a), fazer um comentário, existe tempo para isso. São 2h30 de filme que te divertem e te empolgam a querer mais e mais da personagem principal. É um excelente filme de origem.


Algo que me incomoda profundamente nos filmes da Marvel, por exemplo, é a sua limitação no roteiro de ter que se encaixar dentro do universo amplo de filmes, fazendo com que os filmes de origem e as sequências sejam mais um prelúdio para outro filme. Eu só não sentir isto, recentemente, em "Guardiões da Galáxia vol. 2". Eu tinha medo de que este filme da Mulher Maravilha sofresse por conta de, também, está fazendo parte da construção da base para formação da Liga da Justiça no cinema, mas, para meu alívio, ele é desgarrado das amarras, linkado de forma simples e sutil, nada forçado. Apresenta a personagem, constrói um arco dramático, oferece um vilão e fecha sua história e #partiu Liga da Justiça. É um filme de herói que tem um fim, ao mesmo tempo que deixa aberto o caminho para dali para frente, sem precisar de um gancho megalomaníaco.

O filme possui três tons muito bem delimitados. Inicialmente, temos um ambiente que beira o lúdico, o majestoso, típico de filmes sobre mitologia. É elegante, rústico, selvagem. O segundo momento é algo que flerta mais com o humor ingênuo da personagem em um ambiente tão hostil e violento em plena segunda guerra mundial. O terceiro momento é o ar de cataclismo total já bem comum nos últimos filmes da DC. Os dois primeiros são bem construídos, possuem, inclusive, uma estética que dá personalidade ao filme. A câmera lenta é algo que funciona em alguns momentos. O terceiro momento me incomoda por ser o menos original de todos, ainda que seja realmente bem empolgante.

O Chris Paine me surpreendeu grandemente no filme pela sua verdade e presença em todas as cenas, nos fazendo gostar dele desde o primeiro momento até seu derradeiro momento. A Gal Gadot, além de linda, mostra que foi a escolha perfeita para essa nova versão da personagem nos cinemas. Ela têm um presença poderosa em cena, ainda que careça de alguns recursos cênicos como atriz. 


E, por fim, o vilão do filme é realmente algo a se destacar. É um daqueles vilões ambíguos em suas motivações, pois aquilo que ele devia representar e as suas atitudes não são coerentes, contudo essa dualidade estranha torna ele ameaçador e realmente alguém que consegue antagonizar de forma incisiva a heróina, mexendo com os pontos fracos dela.

Quando tudo acaba, fica o sentimento de satisfação, de empoderamento. A figura da Mulher Maravilha representa muito esse sentimento de força, de determinação e vontade de fazer o que quiser, ainda que o mundo diga que você não consegue. E tudo isso está contido neste filme tão forte e divertido. Vá ao cinema assistir e aproveite! 



Por Jônatas Amaral


EQUALS (2015) : E se você não pudesse ter sentimentos? Você arriscaria tudo para sentir algo?


Você já pensou na possibilidade de não poder reagir emocionalmente as coisas a sua volta? Não poder ter qualquer contato físico com ninguém? Ser cético em cada parte do seu dia? Não sentir prazer ao ver algo, ao ouvir algo? Já pensou se não tivéssemos emoções? 

Todas as vezes que me deparo com tais perguntas, penso: Sem todas essas coisas poderíamos ser considerados humanos?

Equals ou Quando eu conheci você (no Brasil) se passa em um universo futurista onde a sociedade não pode ter ou sentir emoções. Sentimentos são considerados uma anomalia médica do seu humano. As pessoas que são diagnosticas com SOS (termo utilizado para descrever a doença) passam por um tratamento a base de remédios que ajuda na repressão dos sintomas. Não existe até então uma cura para tal doença e há quem acredite que ela possa ser contagiosa ou não.

Silas (Nicholas Hoult) começa a sentir determinados sintomas, sendo posteriormente diagnóstico no estágio 1 da doença. Considerando determinados aspectos e sintomas este percebe que sua colega de trabalho Nia (Kristen Stewart) sofre do mesmo "mal". O contato, o olhar, a descoberta de si mesmo leva estas duas almas a um amor que flui de forma desesperada de sua mente, corpo e alma. Um perigo iminente se instaura, afinal, se forem pegos serão levados ao DEN, onde receberão uma sentença de morte.

A construção da ambientação desta trama é um dos pontos mais fortes e que contribui veementemente para uma sensação absurda de angustia e repressão que roteiro quer passar. 

O filme se inicia de uma forma muito silenciosa e cética, com alguns ruídos, frio, chato até, mas de forma intencional já que você passa a ser introduzido naquele ambiente e muito disso permanece ao longo de todo o filme. Conforme Silas começa à  experimentar novas emoções e sensações o filme, até então muito branco e cinza, ganha cores calmas e vibrantes. Em duas cenas as cores são fundamentais para mostrar o nascimento e a repressão de sentimentos. O tom esfumaçado e desfocado de algumas cenas ajuda o espectador ver e quase tocar nas emoções que vão surgindo aos poucos nos personagens. 

Exemplo do uso de cores
O filme ganha fôlego ao se aproximar do final com uma sequência que nos deixa cheios de expectativa. Ainda que alguns acontecimentos sejam previsíveis, a situação em si é intrigante e gera expectativa, afinal você não entende como aquela situação poderá ter um final feliz.

O ambiente do filme gera um desconforto do inicio ao fim no espectador. De forma pessoal, uma das cenas de Kristen Stewart conseguiu inserir uma dor emocional tão grande em mim que precisei de um tempinho para conseguir retornar ao filme. Não é um filme de atores, é um filme de roteiro acima de tudo, um filme para sentir. Posso imaginar que viver sem emoções é um pouco do que foi mostrado em tela e, absolutamente,  não é bom, não trás felicidade.

É um filme reflexivo em muitos aspectos, principalmente no que tange a repressão de sentimentos que pode ser entendido em diversos âmbitos, já que qualquer forma de contato é visto como prejudicial. Hoje a nossa sociedade condena à morte, as vezes, determinados relacionamentos. Julga amizades como inapropriadas só pelo fato dos erros anteriores; julga as pessoas como anormais ou não dignas de sentimentos por conta do estado emocional, psicológico, clínico. Somos um ser que vive em sociedade, que se desenvolve em sociedade, porque mutilamos a nós mesmos e as pessoas? Qual o motivo de não construirmos laços de amizades profundas? Por que a superficialidade é super estimada? Por que não sentir o que sentimos?

Muitas de nossas lutas internas são prisões coordenadas por fatores externos que consideramos serem nossos em algum momento da vida e que de repente você não sabe mais onde você começa e onde voce termina. Você não sabe o que quer ou o que quer sentir, mesmo que quer sentir.


Se eu não tivesse sentimentos, o que seria de mim? Eu sou feito de sentimentos. Você é feito de emoções. Não deixemos que a maldade e ganância do homem tire de nós uma das caracteristicas mais vitais para nos chamar de seres humanos.

Equals é um romance distópico que têm muito a nos fazer refletir sobre as nossas relações e sobre a forma que encaramos os nossos sentimentos. 


Disponível na Netflix

Por Jônatas Amaral

AS LEMBRANÇAS QUE GUARDO SOBRE "GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2"...


Dia de cinema é sempre bem divertido para mim e sempre vou ter algo para contar sobre uma sessão, sobre a ida ao cinema, a compra de ingressos ou sobre o filme mesmo. Posso dizer que ir ao cinema assistir "Guardiões da Galáxia vol. 2" foi um dos dias de cinema mais divertidos da minha vida. 

Guardiões da galáxia (vol. 01) é o meu filme favorito da Marvel sem dúvida alguma. De todos os filmes da poderosa indústria este é o mais divertido, mais criativo, visualmente mais distinto. A trilha sonora é perfeita. Era óbvio que uma sequência ia ser produzida diante do sucesso estrondoso da equipe nos cinemas, pouco conhecida do grande público até então.

A ligação com o mega Universo Marvel nos cinemas tornava aquele filme ainda mais importante, contudo seria possível fazer algo tão bom quanto o primeiro na sequência? Tão bom quanto talvez não seja, mas chega muito perto.

Esse filme tem excelentes sequências e um excelente desenvolvimento de personagens. Sinto dizer que não lembro muito da história como um todo, mas lembro de momentos e de sensações. A cena final é inesquecível para mim. Eu não imaginei aquilo e me emocionar não foi surpresa. Lembro com clareza da "incredulidade" no rosto daquele que me acompanhava ao ver as lágrimas caindo do meu rosto, mas eram lágrimas de emoção. O cinema faz isso com a gente: nos comove com pequenas coisas.

Se você espera uma crítica de cinema sobre o filme, não é essa a questão aqui. Este post é para dizer que o cinema é entretenimento acima de qualquer coisa. Quando um filme consegue unir histórias, ser revelador de momentos, ser um acompanhante ou pretexto para contar outras histórias, a magia do que é o cinema ganha outro aspecto.

Nesse dia choveu muito em Belém. Teve uma batida leve de carro enquanto eu estava indo para a sessão. Conheci pela primeira vez como funcionava o estacionamento de um shopping. Conheci pela primeira vez alguém que viria ser, em pouco tempo, muito importante na minha história, ainda que talvez a pessoa não acredite. A frase "I am Groot" ganhou outro significado para mim. Nunca um "até logo" foi tão belo. Eu lembro desse dia com carinho ainda que eu tenha exitado muito a escrever sobre ele, até agora não entendo o porquê.

Tudo isso aconteceu indo ao cinema, na sala de cinema, na fila da pipoca, na saída do cinema. E ainda dizem que o lugar "cinema" vai morrer um dia. O cinema talvez mude, mas nada, absolutamente nada vai conseguir mudar a beleza e a magia dessas salas. Só não sente quem não quer. Eu vou ao cinema, acima de tudo, para ter lembranças. Quantas lembranças essa galáxia inteira desenhada na tela me concedeu!

Eu não lembro da história como um todo. Eu lembro de sequências. Eu não lembro de tudo, mas lembro de palavras, lembro do que sentir. E isso valeu o ingresso. 


Dedicado à quem eu disse "I am groot".

Por Jônatas Amaral

  

[RESENHA] "THE LEFTOVERS" by Tom Perrota: Um livro sobre perdas e luto


Eu conheci a história de "The Leftovers" através da magnifica série da HBO de mesmo nome. A série é baseada nesse livro do grande roteirista Tom Perrota. Tendo assistido primeiro a série, era inevitável esperar duas obras muito próximas uma da outra. Contudo, são obras complementares, já que são duas experiências reflexivas muito distintas. 

Não pretendo neste texto realizar uma comparação de ambas as produções, já que há uma vontade de realizar isto em outra postagem. Logo, aqui focaremos somente na obra literária.

"The Leftovers" é uma narrativa que imergi na vida de diversos cidadãos de Mapleton, mas com destaque a família Garvey. O trauma que todos esses personagens têm em comum é chamado de "Partida Repentina", um evento acontecido há três anos, onde uma grande parcela da população simplesmente desapareceu no ar. Muitos podem chamam de arrebatamento, outros não conseguem nem definir.

Somos apresentados a família Garvey, uma família de classe média que está se destruindo. Kevin Garvey se tornou o prefeito da cidade. Laurie Garvey, cansada da futilidade do mundo, do sentimento de não pertencimento, se junta a um culto denominado "Remanescentes Culpados". Tom Garvey, o filho, se une a um homem que se autodenomina Santo Wayne, e agora viaja pelo país cuidando de uma moça, que supostamente leva em seu ventre o Salvador. Por fim, Jill Garvey, a filha, sofre com a falta da mãe e tenta seguir a vida.

Nora Durst é uma das personagens mais interessantes desta história já que toda a sua família desapareceu no dia 14 de outubro. A vida dela é um grande luto. Nora tenta sobreviver e refazer a sua vida, até que tudo vira de cabeça pra baixo, quando Kevin Garvey entra em sua vida.

Meg Abbot é uma discípula de Laurie nos Remanescentes Culpados, a relação entre elas é intensa e traz à matriarca da família Garvey aquele sentimento de amor e amizade o qual ela havia renunciado a muito tempo.

A premissa deste livro é espetacular desde a primeira linha. A experiência, porém, pode ser frustrante para alguns, afinal, pra quem gosta de mistério solucionados, o livro têm muito poucas respostas. Pra quem gosta de ação: Ela é quase inexistente. Pra quem gosta de narrativa lineares e com tudo muito coeso: os lapsos de tempo podem gerar estranheza. Contudo, o livro é fluído em sua narrativa. É impossível não se envolver com a trama, com as histórias, com a vontade de saber mais. O final do livro dá um gosto de "quero mais" já que termina no momento crucial da história.

A estrutura da narrativa é diferenciada, já que podemos considerar ser quase crônicas ou contos daquela situação. Eles são conectados, obviamente, porém é fácil escolher um capítulo e degustá-lo de forma avulsa. Existem capítulos incríveis de ser ler, tocantes, reflexivos.

O problema deste livro, talvez, esteja parcialmente na sua estrutura, pois muitos personagens acabam não tendo muito desenvolvimento ao longo do livro, muitas vezes desaparecendo da história. E outros personagens, apesar do destaque deles, possuem pequenas lacunas no seu desenvolvimento por conta dos lapsos de tempo.

O que seriam esses lapsos de tempo? Basicamente, uma situação é apresentada, contudo o leitor, em alguns casos, só ver as consequências daquela situação no capítulo seguinte que se passa alguns dias ou meses depois. Isso é interessante, mas algumas vezes gera estranheza e até falta de empatia por alguns personagens.

Por outro lado, a reflexão que esses capítulos, que a história em geral promove, possui uma força emocional muito intensa. Não é fácil escrever uma história sobre luto, perda e sentimento de deslocamento e isso ser fluído e ao mesmo tempo impactante. Uma personagem desse livro, que pra muitos pode não ser nada, é, talvez, uma das personagens que mais esteja próxima do real, do existente, do palpável. Aimee é uma amiga de Jill, que está passando um tempo na casa deles. Esse período de tempo permite a construção de uma amizade forte entre ela e Kevin. Quando você ver a relação que eles constroem de apoio, de cumplicidade, mesmo que com um teor sexual refreado, é bonito de ler, é interessante. A despedida dessa personagem é a mais emocionante, na minha opinião.

Essas reflexões em torno das relações humanas que envolvem perda, luto e recomeço pode ser feito com inúmeros personagens, em situações diversas. Um dos momentos mais tensos e sangrentos desse livro envolve justamente o sacrifício de algo que você ama muito. Você já parou pra pensar o quanto é difícil abrir mão de coisas materiais que são muito valiosas pra você, ainda que sejam fúteis? Agora, pense, você abriria mão de pessoas que ama com a finalidade de se encontrar? Você abriria mão de sua vida para fazer as pessoas lembrarem das perdas?

O que vale mais na sua vida? Como recomeçar uma vida, quando tudo o que você amava se esvai da sua mão?

Muitos dizem que este é um livro de recomeços, porém acredito que este é um livro de perdas constantes. Todos os personagens perdem coisas consideradas valiosas ao longo de todo o livro: fé, amor, amizade, dinheiro. Há momentos de vitórias, de recomeços, mas quando isso finalmente acontece, o livro acaba. Você nunca saberá o que aconteceu. Isso é incrível, ainda que frustrante.

A experiência que eu tive com esse livro se resume a refletir sobre as nossas relações com mundo, com as pessoas, com as coisas. Verificar o quanto podemos estar quebrados e sem vida, presos a inverdades. Além de perceber o peso e a dificuldade de tomar decisões na vida. Se possível, faça um favor a sua alma e leia "The Leftovers".   

Por Jônatas Amaral

A Queda da Antiga Nárnia


Tudo está desmoronando a cada segundo sem mostrar o que será construído no lugar do que antes existia. Sinto que estou caçando no escuro um novo lugar para viver, um lugar que seja só e exclusivamente meu. Um lugar seguro, mas sem maldade, mentiras ou orgulho.

É intrigante como nos apegamos aos lugares que construímos, ainda que estes sejam construídos com as piores matérias primas. É um sentimento de ter construído algo com suas mãos, mas de forma frágil e sem cuidado.

Existem tantas Nárnias para se ir, mas não tenho os mapas certos para chegar até elas. Os mapas estão confusos, sem chaves ou legendas.

Olho para estantes. Releio as histórias e escuto os sons em busca do lugar certo para estar. Muitos dizem que o caminho é certeiro, que não tem como errar. Certezas demais em um mundo incerto.

Peço ajuda, mas não me encontro. Talvez essa seja uma jornada solitária com alguns encontros importantes ao longo da estrada.

A minha antiga Nárnia era feita de gelo e dominada por uma carinhosa, mas cruel Rainha Branca. Pedro, Suzana, Lúcia e Edmundo, com a ajuda de Aslan, a destruíram. Junto com eles voltei ao mundo real e agora vivo no impasse de querer voltar à antiga Nárnia, por ser um local conhecido, ou continuar a caçar uma nova entrada entre os poços, a fim de encontrar um novo local para fincar um novo pilar para um novo castelo. Uma nova morada.

Diga a todos os reis de todas as terras que a antiga Nárnia não existe mais.


Por Jônatas Amaral

EU LI 'EU FICO LOKO" E PENSEI: Eu fui um adolescente normal?

Um dia de greve geral para muitos. Para mim um dia de faxina geral no meu quarto, afinal aquele lugar era pura poeira depois de tanto tempo sem que eu conseguisse limpar tudo de uma vez. No meio da arrumação das estantes de livros, decido ler "Eu Fico Loko: as desaventuras de um adolescente nada convencional" de Christian Figueiredo de Caldas.

Existe certo consenso social para ter preconceito com livro produzidos ou escritos por Youtubers. Até certo tempo eu entendo o porquê. Contudo, a meu ver esse tipo de livro é mais um passatempo que reflete um pouco a geração nova de adolescentes que estão mais ligadas as redes sociais e com vídeos do que à livros, revistas, enfim, ao impresso em si. Não que isso seja algo generalizante, mas é possivelmente observável a olho nu.

Desta forma, o livro de Christian Figueiredo é um desses livros que você ler sem pensar muito, se diverte e depois pode simplesmente seguir em frente na sua vida, isto não quer dizer, por outro lado, que o livro não possa gerar alguma reflexão principalmente para o seu público alvo: os adolescentes. Tanto é que tive que vestir uma capa de Jônatas aos 13 a 15 anos de idade para começar a me esvaziar de preconceitos, de desejo de coisas profundas que a idade trás querendo ou não. Isso funcionou até certo ponto, pois para leitores jovens adultos esse livro pode ser melhor aproveitado quando há identificação com as situações, com os pensamentos. Foi por conta disto que dediquei um tempo para escrever sobre este livro.
Ainda que o livro tenha como subtítulo a ideia de alguém com uma adolescência incomum, na prática é sempre evocado situações, que para o autor, é comum a todo e qualquer adolescente, ainda que as muitas histórias sejam loucas de verdade. Foi nesse momento que eu pensei: "Acho que não fui um adolescente normal", principalmente ao tange relacionamentos, viagens, festas. Nem todo adolescente viveu uma vida de excessos e de rebeldia, isto talvez seja um esteriótipo que passa de geração e geração, e que diz que todo o adolescente precisa da rebeldia para crescer. 

Lembro da minha adolescência como um período tranquilo de descobertas, de aprendizados, mas não de excessos, não de adrenalina. Quando repenso o que vivi, reflito se isso foi normal, será que eu teria vivido uma adolescência mais intensa se eu tivesse os excessos? O que é um adolescência intensa?

Acho um absurdo o quanto a bebida alcoólica está presente nas crônicas desse livro, o que me faz pensar: eu não vivi essa história com a bebida, mas quantos adolescentes têm vivido com o álcool na sua vida desde cedo para ser aceito, para extravasar, para até ser feliz? Não só a sociedade e os amigos, mas o pais têm culpa nisso também. O álcool para mim é uma desgraça da sociedade, assim como as drogas, o cigarro e a pornografia. Elas não sinônimo de felicidade para mim. Ver isso refletido nessas crônicas, de forma bem humorada, me faz pensar sobre a educação que quero dar aos meus filhos, a mensagem que quero aos meus alunos. Drogas em geral parece é uma forma de sair do controle. Sair do controle não é sinônimo de felicidade.  

Minha adolescência foi calma, com poucas festas, com muitos amigos, com amores bem resolvidos. Com aventuras na medida certa. Ler esse livro foi uma diversão, ainda que não houvesse identificação com os pensamentos e histórias, foi uma forma de relembrar o que eu vivi, e pensar a geração atual de adolescentes que hoje são meus amigos e são meus alunos. Isso é interessante, pois tudo isso veio de um livro de Youtuber. Ainda há pessoas que dizem que não se pode aprender nada com esse tipo de literatura, acho que essa é mais uma das exceções das quais eu faço parte. 

Por Jônatas Amaral




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5 MOTIVOS QUE TORNAM O LIVRO "A CABANA" UM GRANDE SUCESSO

Eu tenho uma teoria sobre os grandes clássicos da música, da arte, da literatura... enfim, das artes. As grandes obras nascem/aparecem primeiro nos menores lugares, até que no "boca a boca" ganham notoriedade. Nem sempre o que é lançado com toda pompa e circunstância são de fato obras primas. Recentemente posso citar o primeiro livro de Harry Potter e, claro, "A Cabana" de William P. Young.

Um clássico, Jônatas? Sim, um clássico da literatura cristã, assim como, "O peregrino" e "O céu é de verdade". 

"A Cabana" surgiu primeiramente numa editora muito pequena dos EUA e em pouco tempo se tornou um dos livros mais vendidos no mundo, alcançando a marca de mais de 10 milhões de cópias vendidas no mundo. Já faz 10 anos de sua publicação e o livro continua um sucesso indescritível. O que será que levou milhões de pessoas ao redor mundo a ler esta obra?

O livro é um relato  quase que inacreditável e surpreendente de um homem que em meio a uma dor advinda de uma tragédia recebe uma carta, aparentemente, de Deus. Depois de sua filha ser brutalmente assassinada, Mack é convidado a voltar a cabana onde o assassinato aconteceu. O que ele encontrará ali será um confronto consigo mesmo, com seu passado, e com suas percepções sobre a vida, religião, perdão, família e sobre o seu relacionamento com Deus.

Muitos podem considerar "A Cabana" um livro pretensioso. Outros consideram o livro uma heresia. E outros ainda se incomodam com a sua narrativa quase didática, algumas vezes. Mas, por que esse livro toca tanto as pessoas?

Minha intenção não é prover uma simples e rápida apreciação sobre o livro, mas sim compartilhar experiências. Compartilhar cinco motivos que fazem este livro ser tão impactante na vida de tantas pessoas.

1- É UM LIVRO DE PERGUNTAS EXISTENCIAIS

Créditos da imagem: Breeze Mendes
Ainda que extremamente metafórico, o livro é muito claro nas suas questões. Seus temas são bem explícitos, por isso considero ele didático muitas vezes. É uma obra que propõe perguntas, e as responde. Porém, a partir dessas respostas, novas e novas perguntas surgem e que não são respondidas.

Perguntar: "Por que Deus não interfere para acabar com a maldade?", "Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas?", "Por que perdoar quem nos ofendeu e no feriu?", "Como funciona a trindade?"... São perguntas que não são fáceis de responder. E são complicadas de se confrontar. 

Um livro que propõe questões que todo mundo já fez algum dia na vida gera curiosidade, gera proximidade. Mack é quase um retrato do próprio leitor a descobrir aquele universo. 

2- "A CABANA" É UM CONVITE 

Créditos da imagem: Breeze Mendes
Você já foi convidado para uma festa por alguém que você não tinha intimidade? Ou já foi convidado por uma festa de alguém que você não vê a muito tempo? Como você se sentiu?

"A Cabana" é um convite para encontrar um alguém que talvez você nunca viu ou que em algum momento da sua vida deixaste de dar crédito. Esse convite, talvez, seja difícil pois nos tira de uma zona de conforto. A dor, o orgulho, até mesmo a felicidade no trabalho podem ser zonas de conforto que nos impedem de experimentar o que nascemos para ser.

3- O LIVRO É ACONCHEGANTE 

Sabe, aqueles livros que são convidativos, livros que com o passar do tempo você se sente em casa. Você se senta e não sente vontade de sair daquele lugar? Eu considero "A cabana" um desses livros. Todas as vezes que você volta pra ele é um sentimento de confronto e alegria. Talvez, esse sentimento toque tanto as pessoas que a única vontade que você sente assim que termina é fazer outras pessoas sentir os mesmos sentimentos que você.

4- A PRESENÇA DE DEUS COMO PERSONAGEM NO LIVRO

Pela sinopse oficial do livro essa informação é omitida. Você descobre isto ao longo da leitura, mas com o grande sucesso da história isto não é mais um spoiler, mas algo convidativo à obra.

Créditos da imagem: Breeze Mendes
A forma como Deus é apresentado na história é vibrante e instigante, gera discussão, perguntas e ao mesmo tempo consegue gerar um proximidade intensa. O que "A Cabana" faz é "humanizar", em certo aspecto, algo que parece inatingível. Para muitos cristãos céticos isso é uma heresia, mas não há  no livro, a meu ver, nada que fuja do que a própria Bíblia afirma e propaga.

Explicar a construção da trindade é algo que te prende. 

5- A HISTÓRIA DO LIVRO É LINDA

O último motivo que considero ser vital para o sucesso do livro é a sua história. Afinal, é um drama recheado de metáforas, de um mistério sutil, é divertido e instigante. Claro, não agrada a todos, mas para aqueles que se despirem do ceticismo e deixarem ser imersos na história alcançaram a visão do quão profunda ela pode ser.

É uma história quase cinematográfica, desde que seja retirado alguns extensos diálogos. E, por esse motivo, saber que este ano o filme seria lançado foi de uma alegria imensa. Acredito que através do filme a ideia geral do livro poderá alcançar maior abrangência.


CONCLUSÃO

"A Cabana" consegue ser ao mesmo tempo um grande entretenimento e um livro teórico. É um relato que poderia ser real e ao mesmo tempo que pode não ser real, não o torna mesmo verídico em seus ideais.

O livro perde um pouco o fôlego no final, pelo excesso de informação, contudo isto pode ser superado com o lindo desfecho que os espera. Se você nunca leu: Leia. Se já leu: Leia de novo. Se já leu: Passe a Adiante!

Por Jônatas Amaral


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RIPCHIP: A VALENTIA DE UM RATO


Era grande a dúvida que Caspian tinha em suas mãos. Chegara ao ponto mais extremo da viagem até então. Já haviam conquistado e encontrado o que vieram buscar, mas para quebrar um feitiço e voltar para casa, uma decisão precisava ser tomada: partir para o derradeiro leste e ir onde ninguém sabia como chegar, nem tinha ideia do que poderia se encontrar, ir até o fim do mundo, ao País de Aslam ou não?

Se iam voltar ou se iam chegar ao fim do mundo dependia da determinação e coragem de seguir em frente.

"As crônicas de Nárnia", para aqueles que se permitem ver, possui inúmeras metáforas, símbolos e ensinamentos cristãos. Nesta passagem resumida acima, contida no livro "A viagem do peregrino da alvorada", somos apresentados à um discurso ou por uma decisão que pode confrontar. Tal passagem me animou a ser valente como um RATO, não um rato qualquer, mas como Ripchip. Eis o que ele diz:

" - Você não diz nada, Ripchip? - sussurrou Lúcia.
- Não. Porque acha Vossa Majestade que devo falar? - respondeu o rato, numa voz que quase todos ouviram. - Os meus planos estão traçados. Enquanto puder, navegarei para o oriente no Peregrino. Quando o perder, remarei no meu bote. Quando o bote for ao fundo, nadarei com as minhas patas. E, quando não puder mais, se ainda não tiver chegado ao país de Aslam, ou atingido a extremidade do mundo, afundarei com o nariz voltado para o leste, e outro será líder dos ratos falantes de Nárnia." (p. 499-500)
O mais digno deste Rato é que ele disse e cumpriu a sua palavra. Ripchip é um personagem de honra, falho, 'indesistível' mas que sabia o que queria: aproveitar o melhor desta terra. Mesmo com este desejo, sabia que havia um lugar que era de fato o seu Lar e não desistiria de chegar até ele, ainda que as dificuldades aparecessem.


Há um lugar que todo cristão de verdade sonha morar, que deseja chegar. Uma terra que mana leite e mel, que fica para lá de um rio que jorra calmas, doces e vivas águas. Águas que matam a fome e a sede. Um lugar em que o Rei é um Leão da Tribo de Judá.

Algo que me confronta na jornada de Ripchip é o fato deste ser considerado para muitos de nós um dos bichos mais asquerosos de todos. Pequeno, mas que tinha em Aslam sua esperança, não queria ser um covarde, queria lutar, queria morrer pelo que acreditava. Onde está o Cristão que quer lutar contra o pecado? Que não se acovarda diante das dificuldades, mas ao invés disso olha para o céu e ora? Onde estão as pessoas que querem lutar e morrer pelo que acreditam?

Ripchip possuía apenas um grande erro: o seu orgulho.

Ele tinha primazia pela honra, não queria envergonhar o que ele era e nem a quem ele servia, e para isso, ás vezes, tornava-se imprudente e colocava-se em um posto maior, contudo aprendeu com as palavras de Aslam que não devia preocupar-se tanto com o seu ego. Isto aconteceu quando perdeu a cauda, observe as sábias palavras de Aslam destinada ao rato:

" - Mas para que você quer uma cauda? - perguntou Aslam. 
- Senhor - replicou o rato -, é verdade que, sem ela, posso comer e dormir e dar a vida pelo meu rei. Mas a cauda sempre foi a honra e a glória de um rato. 
- Parece que às vezes você se preocupa demais com a sua honra. - disse Aslam. 
- Rei poderoso sobre todos os Grandes Reis - respondeu Ripchip -, permita recordar-lhe que a nós, os ratos, foi dado um tamanho muito pequeno, de modo que, a não ser que conservemos a nossa dignidade, alguns dos que medem as pessoas aos palmos seriam bem capazes de se permitir brincadeira de mau gosto às nossas custas. Por isso é que não perco a oportunidade de afirmar que todo aquele que não sentir esta espada bem perto do coração deve evitar, na minha presença, toda referência a ratoeiras e queijo frio. Não admito, Senhor... nem ao mais alto idiota de Nárnia. 
- Por que todos os seus seguidores estão de espada na mão? - Perguntou Aslam. 
- Com licença de Vossa Majestade - disse o segundo rato, que chamava Pipcik. - Estamos todos prontos a cortar a cauda se o nosso chefe ficar sem a dela. Não queremos ostentar uma honra que é negada ao Grande Rato. 
- Ah! - rugiu Aslam. Vocês venceram! São muito corajosos. Não pela sua dignidade, Ripchip, mas pelo amor que o liga ao seu povo e, mais ainda, pela bondade que o seu povo mostrou para comigo, há muitos anos, quando roeu as cordas que me prendiam à Mesa de Pedra (se bem que tenham esquecido, foi nessa ocasião que começaram a falar), você terá de novo a sua cauda." (p. 390-391)
 Foi pelo que ele era destinado a ser e designado a fazer, pela coragem, pelo temor, não pela sua dignidade. Há coisas maiores que nosso ego e orgulho diante dos povos.

Muitos desistem com muita facilidade. Se vemos um oceano a frente preferimos sentar na praia ao invés de enfrentá-lo. Nos sentimos fracos, é normal, mas nos acomodamos, dizemos para nós mesmos: - Não sei fazer! - Não tenho forças! - O que posso fazer?

Por que esquecemos tanto de Deus? Nas dificuldades o buscamos, mas queremos nós mesmos resolver tudo através da nossa própria força. Nossa força quando estamos sozinho é insuficiente. Esquecemos de Deus e que tudo podemos naquele nos fortalece.

Temos desistido demais. Temos nos acovardado demais. Será que quando vermos o reino dos céus tão próximo de nós vamos focar nossos olhos naquele lindo horizonte ou daremos total atenção as ondas da moda, de sons, ondas de papel, de pixels?

Diante de uma adversidade o mais fácil, talvez, seja desistir, porém, acredite, uma das piores coisas da vida é estar no caminho certo e por conta de um tronco na estrada, desistir.

É difícil continuar, pois nos incapazes  com o medo, mas diante da angustia, diante do medo, olhe para cima dos montes, pois é de lá que virá a ajuda. 


MUITO OBRIGADO!
Por Jônatas Amaral

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[OPINIÃO] "A BELA E A FERA" (Beauty and the Beast, 2017)

"A Bela e a Fera" é um clássico inesquecível dos estúdios Disney que será imortal e, talvez, jamais superado. Afinal, o que este filme fez em sua época foi de grande valia para história das animações no cinema. Este ano a Disney lançou a sua versão Live Action, que poderia ser uma dessas chances de fazer algo diferente e inovador diante de uma história tão conhecida, de um filme tão impressionante. Contudo, Bill Condon escolhe fazer uma homenagem ao grande clássico, sendo assim, não se pode analisar este filme de outra forma. 

Este filme, por outro lado, traz pequeno renovo para uma história antiga em um tempo antigo. Bella que sempre foi uma personagem a frente do seu tempo, aqui é ainda muito mais forte, graças ao toque atrevido da atuação de Emma Watson. 

Todos os personagens são conhecidos, alguns ganham camadas mais intensas como o pai da pela, o Lefou, o Gaston, muito mais cruel nesta adaptação. Os móveis são especiais e têm um belo e cruel momento neste filme, que para mim é a melhor e mais inesquecível cena deste filme.

Devo dizer que estava com grandes expectativas em torno deste filme e esperava me surpreender. Mas, como já foi dito, é um filme reverente ao filme original, reverente até demais na minha opinião. É igualzinho, com pequenos toques de novidade. E são os pequenos toques que me surpreendem: a história da mãe, o livro, o sentimento dos móveis, as camadas dadas ao povo do vilarejo. E são muito pontuais. Constantemente eu queria mais, mais e mais desses toques novos. E ainda que eu entenda a proposta, ainda acho que poderia ter sido mais corajoso, esta é a palavra. Para mim faltou coragem nessa adaptação, coragem de ir além.

Quero destacar em tópicos duas coisas que me surpreenderam ao nível máximo neste filme:

A TRILHA SONORA 


Manter as músicas originais é um ponto positivo e negativo ao mesmo tempo. Quando você escuta "Belle" ou o clássico tema "Beauty and the beast" você se sente em casa, mas não com o mesmo impacto. Contudo, ver essas canções num ambiente mais realista, mais palpável, nos leva quase a acreditar que tudo aquilo de fato é possível.

Quando, porém, se têm a coragem de introduzir novas canções o filme cresce, vai mais longe. As músicas "Days in the sun" e "Evermore" trazem um sentimento tão profundo e quase arrepiante. Quando elas começaram a tocar é como um suspiro de um vento novo ressoando na sala de cinema. Isso é bom.

A trilha sonora do filme é linda, se você puder escute só a trilha sonora, verá a beleza completa que ela é.

QUANDO A ÚLTIMA PÉTALA CAI

É um SPOILER, então, se não quiser não leia esta seção.

O momento mais dramático deste filme é quando parece que tudo será perdido, no momento em que a ultima pétala cai. A Fera está abatida. Bella ainda não se declarou. Não há mais jeito.

Neste momento, o roteiro nos oferece uma das cenas mais belas, emocionantes e cruel do filme. É um momento de despedida de cada utensílio: Lumiére, Ms. Potts, Zip, Plumete, o piano, o guarda roupa. Onde cada um vai "morrendo" aos poucos, deixando de sonhar aos poucos até serem apenas móveis. É triste demais, ao mesmo tempo que é apenas um sopro triste, antes do belo final feliz.

 
CONCLUSÃO?

Vá assistir este filme no cinema, afinal é uma linda história que merece ser vista. É um filme lindo!

Por Jônatas Amaral


[OPINIÃO] "MINHA VIDA NÃO FAZ SENTIDO" (2017, NETFLIX): VALE A PENA ASSISTIR.


Quero ser bem objetivo na mensagem que quero transmitir nesse texto: Se tiver a oportunidade, deixe de preconceito e vá assistir a peça "Minha vida não faz sentido" de Felipe Neto, na Netflix.

Eu entendo os diversos motivos que alguém pode usar de argumento para tentar menosprezar, recriminar, diminuir ou rechaçar esse espetáculo, contudo acredito que é algo que você pode superar. Ainda que você não aprecie o trabalho do rapaz, ainda podes aprender muito com o que esse cara tem a dizer em seu espetáculo, agora disponível a uma gama imensa de pessoas no serviço Netflix.

"Minha vida não faz sentido" é quase um monólogo de Felipe Neto, narrando um pouco da sua jornada de vida no que tange a sua vida profissional. O espetáculo tem dois momentos que se alternam no palco. O jovem Felipe Neto narrando de forma bem humorada, emocional e de cara limpa os fatos da sua vida, e quando a luz apaga e reacende, temos o Felipe versão "Não faz Sentido" (Aquele com os óculos escuros). Esse personagem coloca para fora toda a raiva de determinadas situações e assuntos comentados anteriormente.


Entre os temas abordados na peça temos: educação no brasil, vida profissional, conquista de sonhos e homofobia. Temas tão importantes tratados de uma forma séria. Não é um stand up, ainda que seja engraçado em muitos momentos.

Algo que admiro no trabalho do Felipe Neto é a sua coragem de dizer aquilo que acredita. Não ter medo do ridículo. De estimular a criticidade. Nesta peça,  fica claro que toda essa coragem tem por trás uma carga imensa de medo que está sendo combatido enquanto ele põe a cara a tapa e, simplesmente, tenta.

Nunca vou concordar com tudo que Felipe Neto diga sobre determinados assuntos, mas meus pais sempre me ensinaram a reter o melhor das pessoas, me ensinaram a ouvir, a dialogar. Muitos podem me condenar, mas estou disposto a ouvir Felipe Neto e suas besteiras, assim como suas opiniões sérias, ferrenhas, as vezes polêmicas, ás vezes emocionantes, muitas vezes inteligentes. 

Ouvir não faz mal. Todo mundo têm a chance de opinar, assim como todo mundo tem a chance de se retratar. De dizer que errou. Um dos momentos mais marcantes deste espetáculo têm a ver com certa "retratação" de Felipe Neto sobre um assunto. 

Contudo, existe algo que realmente me faz decidir dizer que vale a pena assistir esse espetáculo. É uma pergunta que percorre toda a peça: O que você está fazendo para vencer os seus medos?

Todo o espetáculo é voltado para que você pare de deixar o medo te parar. Por favor, se puder assista "Minha vida não faz sentido" pois assim, acredito eu, tudo o que eu disse aqui fará algum sentido. 

Por Jônatas Amaral