[REVIEW] "WESTWORLD" (2016) SEASON 01 #Emmy2017

quarta-feira, dezembro 14, 2016


"WESTWORLD" originalmente é um filme escrito e dirigido por Michael Crichton, em 1973. Agora, em 2016 Jhonatan Nolan e Lisa Joy fazem uma adaptação que expande em vários graus a premissa interessante do filme de 1973.

A série narra a história dos acontecimentos de um parque em que os visitantes podem vivenciar uma realidade aumentada do faroeste. Ali tudo é permitido, sendo um lugar para se descobrir ou ser o que se é. Os gerenciadores do parque são colocados, contudo, em determinado momento em problemas com os Anfitriões, após uma nova atualização. A grande questão é que os anfitriões estão ganhando consciência, ouvindo uma voz de alguém chamado Arnold.

A história carrega vários arcos dramáticos que se fundem e se confundem ao longo de todos os dez episódios. Há a história de Dolores (Evan Rachel Wood) e Ted (James Marsden), e mais a frente a jornada de William (Jimmi Simpson), Logan (Ben Barnes) acompanhados de uma Dolores completamente perturbada por fantasmas do passado. Temos a caçada do Homem de Preto (Ed Harris) em busca do Labirinto, enquanto Maeve(Thandie Newton), a cafetina, parece estar cada vez mais consciente do seu mundo. No mundo "real", Dr. Ford (Anthony Hopkins) esta determinado em sua nova narrativa, enquanto Bernard (Jeffrey Wright), Elsie (Shanoon Woodward) e Theresa (Sidse Babett Knudsen) batalham para resolver todos esses novos problemas 'técnicos' no parque.

Em um olhar inicial é possível pensar que uma série com tantos arcos narrativos e com um enredo recheado de detalhes e ligações sutis possa se tornar cansativa, enfadonha e chata. Contudo, a lentidão inicial da história é bem construída e necessária para que o telespectador construa passo a passo uma ideia complexa, porém de base simples que é a resolução dessa história.

A série é contada de certo modo pela perspectiva dos anfitriões, o que causa um efeito distinto, já que inicialmente pensamos em "revolução das máquinas" e os androides como vilões, contudo esta escolha narrativa muda o foco. Olhamos os dois lados, assim o conceito de herói e anti-herói, vilão e ser humano ficam exposto sa a nossa frente. Nem de longe é uma série superficial que se resume a batalha entre robôs vs. humanos. 

Uma grande questão levantada nesta série é a construção do "eu", algo puramente filosófico, mas usado justamente para divertir e também fazer refletir sobre como a nossa consciência e caráter são formados. "WestWorld" assim como "The Leftovers" (ambas do mesmo canal) são séries enigmáticas e divertidas na medida certa.


No que tange os aspectos técnicos da série não há do que reclamar. É uma estética linda, misturada com uma montagem e edição primorosas. Se não fosse a montagem e a edição essa narrativa seria um fracasso. A trilha sonora é marcante e linda (Escute AQUI!). Quando pensamos na abertura é lindo de ver o quão bem feita e simbólica ela é.

Os atores estão todos muito bem em seus papéis. O grande destaque, para mim, é Thandie Newton como a incrível Maeve (vencedora do Critics Choise Awards pelo papel e indicada ao Globo de Ouro). Evan Rachel Wood interpreta Dolores, uma personagem que vai ganhando camadas violentas e marcantes ao longo de toda a série. E, finalmente, Anthony Hopkins como Dr. Ford, fazendo um dos seus trabalhos mais icônicos dos últimos anos.


Gostaria de mencionar também trabalho de todos os atores que interpretam anfitriões na história, pois a preparação e dedicação colocada nos presenteou com um trabalho incrível de ver. Uma jornalista chegou a criticar o trabalho de Evan Rachel dizendo que ela só sabia fazer cara de robô bonzinho e depois de robô má. Isso na verdade para mim é um ponto, também, positivo, já que todos os atores nos convencem de que são androides. Seus movimentos, sua fala, o olhar... tudo é muito sutil e delicado. Até a nudez deles se torna irrelevante já que você sabe que eles "não são humanos". É impressionante.

A série, como muitos já falaram, sofre um pouco com as interações nas redes sociais já que a era das teorias é vigente. Logo, entre um episodio e outro há muito espaço para vasculhar detalhes e criar teorias. Muitas das teorias produzidas acabaram se concretizando, mostrando a força da colaboração midiática e também revela o primor técnico do roteiro de deixar pistas importantes e relevantes ao longo de toda a série.


"WestWorld"é, para mim, a melhor série do ano por tudo o que mencionei acima e por tudo o mais que deixei de fora. A segunda temporada só acontece em 2018, porém gosto deste tempo, pois é a possibilidade da HBO de nos entregar um produto tão bom ou até melhor que a maravilhosa primeira temporada.

Por Jônatas Amaral



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