[RESENHA] AMERICAN CRIME STORY: THE PEOPLE V. O.J.SIMPSON (FX, 2016)

Canal FX: American Crime Story (2016)
De Setembro de 1994 a 3 de outubro de 1995, um julgamento dominou a mídia. Durante um ano os Estados Unidos pararam em frente a TV para acompanhar o desenrolar do julgamento de O.J.Simpson um ex-jogador de futebol americano e ator, que foi acusado de matar sua ex-mulher Nicole Brown e amigo da esposa Ronald Goldman. A mídia sugou o máximo do máximo deste acontecimento à época, desta forma a série produzida por Scott Alexander e Larry Karaszewski mostrará o outro lado, aquilo que não se via: todos os acordos, as estratégias e os dramas de todos os profissionais envolvidos no julgamento: promotores, advogados de defesa, juiz, júri e aqueles que indiretamente influenciaram em mudanças no processo de julgamento. 

É uma série policial de investigação como nunca eu vi antes. É tantas reviravoltas que chega a ser inacreditável, mas basta uma pesquisa rápida no Google para perceber que tudo de fato aconteceu. Até as coisas mais absurdas. Era intenção da direção em não trazer à tela algo que já tenha sido mostrado à época, logo ficamos geralmente no ambiente dos tribunais, nos escritórios vendo cada detalhe do que foi feito antes, durante e depois do julgamento.

Cuba Gooding Jr. como O.J.Simpson e
Courtney B. Vance como Johnnie Cochran
O julgamento é pautado de muitas questões, mas a principal é a questão do preconceito racial, estratégia utilizada pela defesa para tentar inocentar o réu O.J.Simpson (Cuba Gooding Jr.) que é negro. Assim sendo, a trama inteira é recheada de discussões sobre racismo, sobre como ainda à comunidade negra era tratada na sociedade. E esta estratégia mexe com a população. É evidente que o julgamento torna-se um programa de TV, e a série te faz refletir sobre isto, inclusive diante das estratégias dos advogados para  tentar conseguir convencer o júri. O advogado de defesa Johnnie Cochran ( Courtney B. Vance) trabalha na TV e é chamado pelo até então advogado principal Robert Shapiro (John Travolta) para justamente ser o rosto e a voz deste discurso sobre racismo na policia.

Então, o julgamento traz a tona duas discussões principais: racismo e  possível corrupção da policia de Los Angeles. Contudo, a série ainda, de forma sutil, traz a questão da presença feminina na sociedade, critica a futilidade da vida, e o poder dos argumentos.


Sarah Paulson como Márcia Clark
Gostaria de destacar dois episódios, os quais inclusive foram indicados ao EMMY de melhor roteiro, que representam muito bem tudo que está sendo comentado. O Episódio “The Race Card” é extremamente brilhante ao mostrar a construção de um discurso onde o “rosto negro” seria fundamental. Desde a escolha dos advogados, seja na construção do júri, na construção dos argumentos. Tudo. A acusação escolhe um advogado negro chamado Christopher Darden (Sterling K. Brown), e que tem a frase que melhor expõe a real situação: “Vocês querem um rosto negro, mas não uma voz negra”. Essa frase é forte e reveladora.

David Schwimmer como Robert Kardashian
John Travolta como Robert Shapiro
O.J.Simpson é freqüentemente mostrado como um alguém que enriqueceu e não tem problema em sentir orgulho disso, chegando a ser arrogante e fútil muitas vezes. E o mais impressionante, em alguns momentos você acredita no personagem, você até meio que torce por conta do argumento gerado. E isto é fruto do excelente trabalho de direção e montagem. A série é imparcial 95%, escolhendo mostrar e conduzir o roteiro de forma que você fique em dúvida, sem saber em quem torcer, até um determinado momento que é evidente um fato. A edição intercala momentos que em o personagem parece inocente e em outros que parece culpado. É simplesmente brilhante.

Outro episódio extremamente marcante é “Marcia, Marcia, Marcia”, personagem interpretada pela incrível Sarah Paulson. O episódio mostra a vida desta personagem, sendo um mulher em processo de divórcio, extremamente viciada em trabalho, determinada, e muitas vezes um pouco egoísta e orgulhosa. A mídia cai em cima da promotora, brincando com a autoestima da personagem. Em um determinado momento ela troca de visual e todos riem dela. É chocante isto. E mostra o poder da mídia e o que a mídia faz em muitos momentos: explora a imagem das pessoas a fim de ter noticia. 

O papel que a mídia tem neste caso é assustador e se você perceber o Brasil passou por um caso meramente parecido no que tange a influência e a exploração de um caso, fazendo com as pessoas se posicionasse de acordo com o que ela mostrava. E não uma vez, mas em vários casos. É algo que podemos refletir pelo menos: até onde a mídia pode ir? E até onde a mídia trabalha com a verdade e não com a especulação?

Márcia Clark e Sterling K. Bronw como Christopher Darden
A série tem 10 episódios e vai em ritmo crescente de qualidade. Apenas um episódio é relativamente fraco, que é o segundo, apesar de esteticamente bem feito. Alias, toda a série é tecnicamente ele primoroso, tendo a câmera como um narrador presente constantemente e icônico. Diante desta preciosidade, a série foi indicada este ano a nada mais e nada menos do que 22 EMMYs, entre categorias de atuação e técnicas. Praticamente todos os atores centrais foram indicados: Melhor Ator e Atriz em Minissérie: Sarah Paulson (Márcia Clark), Cuba Gooding jr. (O.J.Simpson) e Courtney B. Vance (Johnnie Cochran) / Melhor Ator Coadjuvante em Minisssérie: Sterling K. Brown (Christopher Draden), John Travolta (Robert Shapiro), David Schwimmer (Robert Kardashian). A série foi indicada a melhor minissérie, além de prêmios como melhor roteiro, elenco, figurino, fotografia e edição. 

A série é finalizada utilizando o clássico recurso de mostrar os atores em comparação com os personagens reais e o que aconteceu com eles após o julgamento, contudo até neste recurso tão simples ela surpreende, principalmente quem não conhece nada sobre o O.J.Simpson. E deixo uma dica se você não sabe o resultado do julgamento, não conhece nada sobre ele, assista primeiro a série e não procure, você vai se surpreender muito. E terá um dos finais mais impactantes.


A série chegará à Netflix a partir do inicio do ano que vem. Terá uma segunda temporada, porém focada nos crimes que aconteceram diante do Furacão Katrina e tem previsão de estréia para o ano que vem. A série é uma antologia como American Horror Story. O Box da série chega as lojas no dia 20 de outubro. 

Desta forma, é uma das melhores séries que eu já vi na vida e que simplesmente roubou um dos meus finais de semana, pois simplesmente eu não conseguia parar de assistir. Indico veementemente, e, por favor, não deixe de assistir essa série com todo um olhar observador e critico. Você aprenderá muito com ela.

Por Jônatas Amaral

Jônatas Amaral

Sou Jônatas Amaral, 22 anos. Paraense, Brasileiro. Formado em Letras - Língua Portuguesa. Um sonhador por natureza.

4 comentários:

  1. Fiquei completamente convencida hehehehe
    Vou hj mesmo procurar essa série. Gosto de intercalar temas e estava procurando uma nesse gênero. Dica anotada!

    >> Vida Complicada <<

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  2. Fiquei completamente convencida hehehehe
    Vou hj mesmo procurar essa série. Gosto de intercalar temas e estava procurando uma nesse gênero. Dica anotada!

    >> Vida Complicada <<

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  3. Ótima crítica de uma ótima série, estou até agora impressionado, Sarah Paulson é uma atriz incrível, ela consegue se moldar a todo tipo de personagem... Passei a série toda com raiva dá "trupe"do O.J, em meu ver eles não estavam nem aí pra o racismo, só queriam livra a pele do O.J (Que pelo que eu vi na série parecia ser bem dramático e cheio de chiliques) dou 10 pra essa série ❤

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    1. Olá Álvaro,
      eu acredito nisso também, eles queriam livrar o cara da prisão e foram capaz de usar o máximo do máximo de coisas para conseguir isso.
      Se quiser saber mais sobre o caso eu indico o documentário: "O.J.: Made in America", que inclusive levou o Oscar de melhor documentário esse ano. Fica a dica.

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