[ #MFFF2016] Resenha de "French Blood" (2014)

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Un Français (French Blood) 

“French Blood” é um filme dirigido por Diasteme que traz um filme forte, recheado de uma violência necessária e uma carga melancólica surpreendente. O filme foi selecionado para compor o Festival de Toronto de 2015 e também foi selecionado para o 6º My French Film Festival, um festival de cinema francês anual, totalmente online (SAIBA MAIS)..Trazendo ao Brasil um filme que gerou muita polêmica e entendo porque, desta forma é o que tentarei explicar nesta resenha.

O filme é a história de Marc um Skinhead que junto aos seus amigos – Braguette , Grand-Guy e Marvin- agridem fisicamente os árabes e negros além de colar cartazes de extrema direita. Isto até o momento em que sente que todo aquele ódio crescente e que cultivava desaparece. Desta forma a narrativa mostrara a luta deste jovem diante da busca de anular ou se livrar da violência, da ira e da estupidez que está dentro dele. Como isso pode acontecer? A sinopse oficial do filme resume dizendo: “é a história de um filho da mãe que tenta se transformar em uma pessoa decente”.




Narrativa do filme abarca um longo período de tempo mais ou menos entre o período de 1988 até 2012, com a tentativa de mostrar como esse personagem foi se transformando ao longo desse anos, além deste vivenciar a mudança (ou não) na vida dos seus parceiros de juventude e das pessoas que ele encontrou ao longo dessa jornada. Contudo, essa narrativa fica um tanto perdida, em termos de identificação do ano especifico, por não ser uma passagem de tempo precisamente marcada, apesar de a legenda oferecer, as vezes, essa informação. Por um lado isto é ruim, porque você não se prepara para aquilo, por outro lado é interessante, pois o filme te deixa num continuo de dúvida de o que aconteceu? O que mudou? Daí vem algumas surpresas.

Alban Lenoir (Marc)
O personagem é bom, contudo não espere torcer por ele, porque será difícil você se identificar com este ou mesmo aceitá-lo, isso é brilhantemente interpretado pelo ator Alban Lenoir. Entenda, suas atitudes por mais que sejam de boa intenção é revestida de um discurso externo muito forte que o envolve muitas vezes e o trava em certos aspectos. Que discurso é esse? Entramos na polêmica. 

O filme tem na sua narrativa um grande teor nazista, ou que bebe desta fonte. Calma. O filme não vangloria o nazismo ou o defende, porém mostra muitos personagens com essa ideologia, logo é um filme muito incomodo, já que muitas vezes nos deparamos com discursos de ódio contra raças e orientação sexual. O filme precisa da violência e dessa carga verbal muito dura e muito presente, justamente para fazer o público pensar sobre "ideal politico" e assim critica-lo. 

O filme abrange alguns momentos contemporâneos importantes na França que você não consegue entender tanto por não está inserido naquele contexto e não ter muito conhecimento, o qual foi meu caso. Seria necessária uma pesquisa para entendê-los. Desta forma, o que você vê não é sem propósito, acontece que desta vez vemos pelos olhos da perspectiva a qual nós entendemos como cruel e que realmente é, e isso incomoda.

Diastème (Diretor)
A grande questão é que o filme trabalha com as consequências não de uma escolha política e sim de uma escolha de vida que faz pensar demais. Acredite é um filme que incomoda constantemente ao assistir e que termina de uma forma fria. Tal final me oferece uma conclusão sobre o personagem central: é um personagem que tenta ser alguém decente, porém que não consegue se posicionar.

Não é um filme fácil, mas é um excelente filme para quem estiver aberto a pensá-lo e não só curti-lo. É um filme recheado de uma violência orquestrada e bem conduzida, porém necessária, com grandes personagens; as vezes um pouco confuso na narrativa, porém que no geral vale o tempo para assisti-lo a fim de pensar e observar também o que vivemos e até entender mais do patriotismo francês e de muitas coisa que atualmente se vive na França. 


Filme assistido na 6º edição do My French Film Festival, no dia 04 de fevereiro de 2016.

Esta resenha faz parte da cobertura do evento.

Confira os primeiros posts aqui #MFFF2016

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