[RESENHA] “A Moreninha” de Joaquim Manuel de Macedo

terça-feira, outubro 28, 2014



O ano é 1844. Macedo publica o que hoje seria considerado o precursor do Romance Brasileiro. Joaquim Manuel de Macedo introduziu na Literatura Brasileira o gênero Romance, com a publicação do livro “A Moreninha”.



Este livro faz parte do Desafio “100 Livros Essenciais da Literatura Brasileira”. Hoje, faço dele outro marco, talvez menos significativo, mas depende de quem está vendo. Este é o primeiro livro lido por mim do desafio, o primeiro resenhado.

“A Moreninha” gira em torno de uma aposta feita por quatro amigos, estudantes de medicina: Fabrício, Augusto, Leopoldo e Felipe. A aposta surge quando Felipe convida os amigos a visitar a sua avó, D. Ana. E faz toda uma propaganda em torno de suas primas e de sua irmã. Augusto que é visto como legitimo namorador e conquistador, diz que jamais consegue amar uma moça por mais de 3 dias.

Assim surge a aposta: Se Augusto enamorar-se por uma só mulher durante quinze dias será obrigado a escrever um romance, como pagamento da aposta. Caso contrário, Felipe terá que escrever sobre sua derrota. Aposta é aceita.

Indo até a Ilha (que nunca é nomeada no livro), conhecemos a família, o cotidiano, as festas, as brincadeiras de uma nova sociedade, com novos costumes, que estava surgindo no Brasil. Lá, os rapazes se encantam pelas moças, tem-se lugar brincadeiras divertidas, de mau-gosto por vezes, mas divertidas. Assim surge, um romance entre A Moreninha e o Incorrigível Augusto. Um romance que enfrentará percalços, principalmente promessas do passado.

“- Mas a desordem é hoje a moda! O belo está no desconcerto; o sublime no que se não entende; o feio é só o que podemos compreender; isto é, romântico; queira ser romântica, vamos ao meu futuro.” (pag. 110)

O Livro em sua época pode ser considerado um Best-seller, foi lido por muitas pessoas. Foi uma identificação imensa. O motivo nunca se saberá ao certo, mas podemos criar hipóteses. O livro tem um toque de realismo (não confundir com o ideal da escola realista), ele vai descrever costumes, lugares tipicamente brasileiros, mas, lembrando que estamos no Romantismo, temos muitas coisas idealizadas, inclusive o amor, a mulher. 

Podemos notar que Macedo trouxe elementos da cidade e do campo tipicamente brasileiros, tentando fugir de modelos portugueses ou de outra nacionalidade, apesar de ainda, segundo estudiosos, ainda haver traços muitos marcantes de obras anteriores internacionais, mas que não vejo como um problema.

A História lida hoje em dia, no nosso contexto, pode ser considerada uma típica comédia romântica, com seus clichês (lembrando que aqui é o ideal de clichê atual, afinal a época era algo inédito). Porém, a obra é super divertida. Muitos consideram obra pra meninas, não concordo. Afinal, qualquer rapaz pode se divertir ou até mesmo se identificar com algumas opiniões dos estudantes da história. Assim como as moças. O fato é que, os costumes na obra, a forma da paquera e tudo mais, são diferentes, contudo, se analisarmos bem a essência não mudou tanto assim, tanto é que acho possível que muitos ainda podem se identificar com o ideal da obra. Seus valores, a sua moralidade. E se emocionar e rir bastante.

"A Moreninha" de Joaquim Manoel de Macedo. Editora Klick.
159 páginas.

É uma obra despretensiosa, o próprio autor no prefacio (um dos mais lindos que já li, digno de passagem) nos alerta, pedindo desculpas se esta sua “filha” for travessa demais e ter muitos defeitos. Macedo traz algo novo, uma obra que fez muito sucesso e que ainda é lida hoje em dia e estudada e debatida, logo não vou dizer de nenhuma forma que tal obra tenha apenas valor documental dentro da história da Literatura Brasileira. Merece ser lida e apreciada como uma obra literária não só pelos ditos famosos críticos e estudiosos de literatura, mas sim por todo e qualquer leitor.

Gostaria de chamar atenção para um aspecto interessante que são os diálogos diretos. Não espere encontrar muita descrição, pelo contrário houve uma preocupação em dizer o essencial. Descrever o que realmente era importante para criar ambientes, por exemplo. Os Diálogos são muito bem trabalhados, são divertidos. Algo que sinto falta hoje em dia nos romances brasileiros. Valorizo muito um autor que consegue produzir diálogos em sua obra que não sejam superficiais, que não deixem de ser interessantes e que evoluam a história. Macedo fez isso 1844, em “A Moreninha”.

“- Augusto  é incorrigível.
- Não, é romântico.
- Nem uma coisa nem outra... é um grandíssimo velhaco.
- Não diz o que sente.
- Não sente o que diz.
- Faz mais do que isso, pois diz o que não sente. “ (Pag. 18)

Os personagens não são tão profundos, mas que já deixam uma centelha do que será produzido mais adiante. Carolina e Augusto são personagens que nos apegamos cada uma com seu jeito em particular. Pensemos que este é o primeiro romance brasileiro e não foi o último. Com toda certeza serviu de base para muita coisa que foi produzida depois.

Por fim, “A Moreninha” é um livro divertido, com uma linguagem acessível, mesmo sendo de séculos atrás. Possui um valor histórico. Possui temas ainda bem atuais. Uma obra que merece ser apreciada por todo e qualquer tipo de leitor.

Por Jônatas Amaral

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