[RESENHA] "O Retorno do Jovem Príncipe" de A.G.Roemmers



“O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry é uma obra imortal, assim como seus ensinamentos tão singelos e marcantes. Foi um dos livros que mais marcou minha vida, e eu sei que o mesmo aconteceu na vida de muitas pessoas.

Saint-Exupéry no final da sua obra prima faz um apelo:

“Façam-me um favor! Não me deixem tão triste: escrevam-me depressa dizendo que ele voltou...”.

Saint-Exupéry ficaria feliz em saber que mais de 60 anos depois alguém escreveria sobre “O Retorno do Jovem Príncipe”

No relato escrito pelo argentino Alejandro Guillermo Roemmers, o pequeno príncipe retorna a terra, porém em outra fase da vida: juventude. Ao invés de um deserto árido, um homem o encontra deitado em uma encosta de estrada, na Patagônia. 

O Pequeno Príncipe tornou-se um jovem, mas parece não ter mudado tanto: nunca desisti de uma pergunta quando a faz, sempre questionador, porém tudo leva a crer que o príncipe enfrenta algo que todos temos que enfrentar: Crescer.

O príncipe descobre que o Carneiro que seu amigo lhe deu, em sua primeira viagem a terra, era imaginário. A rosa, sua amiga de longa data, está afastada, erradia, não fala mais com ele como antes. A felicidade está se apagando.


Em uma viagem de 3 dias, atravessam a carro uma longa estrada da Patagônia. O jovem príncipe e o homem conversam, questionam e ensinam sobre muitos temas: Como enfrentar seus problemas; porque não se tornar uma pessoa tão séria; ter mais afeição por um animal do que por uma máquina; viver o presente; crescer no amor para ser feliz...

Em meio a várias perguntas, o jovem príncipe, leva o homem e a cada leitor ver novos horizontes para sua vida. É algo mutuo um ensinando o outro. O Jovem consegue resumir milhares de palavras em um único gesto.

“Quem era aquele jovem que irradiava inocência e sacudia as bases do sistema de crenças que eu herdara?” (pag 13)

É um livro impactante, assim como é o livro de Saint-Exupéry. O pequeno/jovem príncipe existe, Roemmers o encontrou e fico feliz que eu também posso encontrar. Fico feliz por todos poderem encontra-lo.

Esta história nos confronta, muitas vezes, com nós mesmos. Com nossas verdades prontas, preconceitos, stress, atitudes. Ensina-nos, entre muitas coisas, a nos encontrar interiormente. Penso que seja tudo o que aprendemos e questionamos com essas palavras, seja encontrar o jovem príncipe.

“Mas nem sempre entendemos com igual clareza que a observação de nossas redondezas e dos eventos que nos afetam é um dos melhores métodos de autoconhecimento, pois tudo o que nos perturba no mundo externo é um sinal da falta de reconciliação com um princípio análogo em nosso interior. [...]” (pag. 24) 

“Só existe uma maneira de mudar o mundo: mudar a si mesmo.” (pag.25) 
 
Gostaria de fazer algumas considerações sobre esta edição: começando pela capa que é uma das mais bonitas que já apreciei, carregada de inúmeros significados, como a obra a inteira. 

Editora Fontanar, 2011. 107 páginas. 
A diagramação é muito singela e bonita. Os inícios de Capítulos e algumas folhas que destacam determinado trecho são recheados de estrelas, o que é também excelentemente significativo.

Contém um Prefacio que vale a pena ler. Ele foi escrito pelo sobrinho neto de Saint-Exupéry, ex-presidente da Fundação Antonie de Saint-Exupéry.

Roemmers é um dos escritores argentinos mais aclamados atualmente; sua escrita é muito poética, muito bem trabalhada, com toques sofisticados, porém sem ser inacessível. Gostaria muito que a editora publicasse mais trabalhos do autor.

“O Retorno do Jovem Príncipe” tem ares de clássico. Um livro que crianças, jovens, adultos e idosos devem ler, refletir, repensar, avaliar cada palavra ali escrita.

Quero sempre poder encontrar o jovem príncipe: Hoje, amanhã, eternamente.

“O Jovem príncipe me permitiria descobrir o melhor que havia nele apenas para que eu pudesse descobrir o melhor que havia em mim” (pag. 99)
Por Jônatas Amaral


Jônatas Amaral

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