[RESENHA] "O Jogo do Anjo" de Carlos Ruiz Zafón.


"-Tudo é um conto, Martín. O que cremos, o que conhecemos, o que recordamos e até o que sonhamos. Tudo é um conto, uma narração, uma sequência de acontecimentos e personagens que comunicam um conteúdo emocional. Um ato de fé um ato de aceitação de uma história que nos foi contada. Só aceitamos como verdadeiro aquilo que pode ser narrado." (Pag.117)

Há livros que não chegam às mãos de um leitor por acaso. Estes livros acabam tornando-se marcantes e inesquecíveis por alguma razão.

Carlos Ruiz Záfon apareceu pela primeira vez na minha frente, vindo pelas mãos de um jovem carteiro. Mas, verdadeiramente só o conheci quando ele veio acompanhado de uma jovem moça, trazendo um livro chamado “O Jogo do Anjo”.


Neste livro encontramos David Martín. Um jovem escritor que sofreu bastante na sua infância pobre, em Barcelona. Quando seu pai foi assassinado, o jovem já tinha os livros como grandes amigos e a escrita como aliada. David, então, começa a trabalhar, no jornal “La Voz de La indústria”, onde por incentivo de Vidal começa a se torna um escritor ‘profissional’.

Porém, a pequena fama dura pouco. David entra em parceria com uma editora para escrever livros sob um pseudônimo, que faz muito sucesso. Mas, o desejo de ser reconhecido sempre vai existir. Com o tempo ele cai em desgraça, e então recebe uma proposta irrecusável.

Um editor Francês, chamado Andreas Corelli, lhe encomenda um livro capaz de impactar o rumo da história. Um livro que fosse capaz de levar as pessoas a matarem e morrerem por aquelas palavras.

Estaria em jogo sua saúde e uma fortuna em dinheiro. E possivelmente, muito mais do que isso...

“O Jogo do Anjo” nos apresenta um suspense impressionante. Da primeira a última página ele nos deixa em estado de alerta. Sabemos que algo novo pode acontecer. Pode ser descoberta. Uma nova carta pode chegar. Um novo alguém pode aparecer vivo ou morto.

O livro é dividido em 3 atos, cada um possui um certo ritmo diferente:

No primeiro ato conhecemos quem é David Martín. Sua história; Seus amigos Pedro Vidal e o ilustre e amável Sr. Sempére (um personagem impossível de não gostar). Assim também conhecemos o inicio do romance entre David e Cristina, e o inicio da carreira de escritor.


Neste o autor nos mostra qual será o espírito da coisa. Mostra que a vida de Martín não será fácil. Muitas coisas acontecem com ele, chega dá pena do cidadão! O suspense começa a ganhar corpo em um mistério.

No 2º ato nos deparamos com um novo David. Ele deixou um pouco a ingenuidade de lado (afinal, a vida nos ensina) e tornou-se um homem cínico e irônico (características muito interessantes). É impressionante cada uma de suas falas, suas sacadas, suas críticas. É um personagem que evolui neste ato, tornando-se cada vez mais incrível.

Aqui de fato conhecemos Andreas Corelli, que foi apenas citado no primeiro ato em uma situação muito estranha. Corelli faz sua proposta. Vemos a vida complicada e esquisita de Martín em uma velha Mansão.



Além de que, conhecemos Isabella, uma personagem jovem, de 17 anos aspirante a escritora e que se torna, por insistência dela, assistente de Martín. Disputando o posto de personagem favorito e mais sarcástico. As conversas dela com Martín são vidrar.

"À medida que envelhece, a maioria das pessoas continua acreditando em bobagens, em geral cada vez maiores. Eu nado contra a corrente, pois gosto de provocar as pessoas." (pag.186) 
O segundo ato é o maior e, sim, ele é o responsável por dar a tensão extrema, as vezes parece que nada de mais irá acontecer, os diálogos tornam-se mais frequentes. O estado psicológico de Martin nos deixa um tanto confusos, mas de repente, prendemos a respiração e só conseguimos solta no próximo parágrafo, ou frase, ou página. De tanta surpresa a qual nos deparamos.


O terceiro ato é extremamente ágil, medonho, o suspense chega ao seu ápice. É recheado de momentos violentos, cruéis, macabros. Muitas lágrimas rolam por essas páginas.

Neste ato, de fato, o livro me conquistou por completo. Pois o autor simplesmente nos deixa em um estado de medo, mas de curiosidade tamanha pelo o que ele escreveu. Houve um momento que simplesmente eu disse: “Espera, eu não acredito. Deixa eu reler.”

É um livro que te prende, querendo ou não, pelo menos eu sentir isso. Você quer continuar, quer saber. Por vezes, se pensa que o livro “O Jogo do Anjo” poderia ser aquele livro que Corelli queria.

Záfon torna Barcelona um lugar incrível, interessante, melancólico, porém satisfatório. Apesar de estarmos nos anos 20 e termos as limitações tecnológicas da época essa história poderia muito bem estar sendo vivida em pleno século 21.

"O Jogo do Anjo", de Carlos Ruiz Zafón. Tradução de Eliana Aguiar.
Editora Suma de Letras - Objetiva, Rio de Janeiro, 2008

Outro ponto muito interessante sobre este livro, é tratar o ramo das publicações literárias. A dificuldade de um autor para escrever e publicar um livro. A ânsia de ser reconhecido. Eu aprendi muito com cada personagem escritor nessa trama.

"Não deve aprender a encontrar desculpas para não escrever antes de aprender a escrever. Isso é um privilégio de profissionais que terá que conquistar" (pag. 216)

“O Jogo do Anjo” me apresentou ao mundo da escrita de Zafón, a qual eu não quero largar tão cedo. Indico e convido a conhecerem, se aprofundarem na obra de Carlos Ruiz Zafón. E “O Jogo do anjo” é um excelente ponto de partida.

"Cada livro, cada tomo que está vendo aqui, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma daqueles que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém desliza os olhos por suas páginas, seu espírito cresce e se fortalece" (Carlos Ruiz Záfon)


P.S. Agradeço a Beatriz Góes por ser a menina que trouxe este livro até minhas mãos e pela confiança. =D

Por Jônatas Amaral

Jônatas Amaral

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4 comentários:

  1. Uma blogueira que admiro muito é uma grande fã do Zafón e sempre que ela comenta sobre o autor fico mais e mais interessado nos livros dele. Seus comentários nessa resenha tiveram o mesmo efeito e minha curiosidade por esse livro especificamente é ainda maior. Sempre gosto do clima de livros de época, mas aparentemente esse tem algo diferente. Aliás, achei interessante o livro ser dividido em atos, o que acredito dar várias possibilidades para o autor e consequentemente para o leitor.
    Acho que essa obra pode ser uma ótima experiência depois de "Marina", que continua sendo o livro que mais tenho interesse.
    Ah, gostei muito das fotos :D

    Abraços,
    Ricardo - www.overshockblog.com.br

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    1. Olá Ricardo,
      Fico feliz que esta resenha possa ter feito você querer ainda mais mergulhar nas paginas de Záfon. Eu sempre tive muita curiosidade para ler coisas dele. Marina, foi o primeiro livro que ganhei, mas foi com esse que acabei me apaixonando de vez pelas obras.
      É um livro incrível de fato, macabro e cheio de surpresas e ensinamentos.
      Recomendo.

      As fotos ficaram legais né? até eu me surpreendi. Muito obrigado!!!

      Até mais.

      Jônatas Amaral

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  2. Oi, Jônatas,

    nunca li nada do Zafon, apesar de ter alguns livros dele... Mas, menino, esse livro parece ser sensacional!!! Adorei a sinopse e como sou apaixonada por suspenses, fico fácil. Parabéns pela sua resenha, pela forma como vc foi capaz de me envolver com a trama do livro sem revelar enm um detalhezinho que fosse de como os fatos se desenrolam. Bem, vou ter q comprar para matar a curiosidade, né???

    Adriana Medeiros
    minhavelhaestante1.blogspot.com

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  3. Olá Jônatas, acabo de ler esta maravilha e gostei muito da sua resenha, concordo que este realmente ganha um lugar cativo com relação aos outros. Já li os três do cemitério dos livros esquecidos e a sobra do vento virou o livro presente, mas o jogo do anjo foi diferente, envolvente, macabro e muito reflexivo. Muitas vezes me coloquei no lugar do Martin e me pensei como é difícil viver do que se gosta de fazer além da nossa vaidade de querer reconhecimento, quem não? E ainda teve Barcelona e todas as paisagens desenhadas pelo autor... Adorei suas opiniões, abraços. :)

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